"O verdadeiro pecado é escrever para o público." (Paul Valéry). "Blot, blot, good Lod'wick!" (Shakespeare, Edward III). "Dei uma olhada no seu instigante blog/ site... Indiquei seu site para pessoas interessadas na discussão sobre a aporia das artes" - Affonso Romano de Sant'Anna.
ainda não entendi/digeri direito mas aí vaí o link para o site oficial do coletivo de arte upgrade do macaco.
Trecho do manifesto (talvez um pouco apocalíptico demais, mas é a RAIVA que conta):
Um manifesto da era digital dividido em partes fractais narrando de forma não-linear fragmentos de momentos da historia humana, não se trata de documentários nem análises claras, trata-se de sentimento puro. Raiva, angustia, temor (e tremor), solidão, amor, desespero CHACINA, MALÁRIA, DESILUSÃO e outras ações ligadas a sensações extremas. Uma forma irregular e medíocre de mostrar UM MUNDO TECNOLÓGICO E SUPERCONTROLADO na sua própria natureza viral, um amontoado de montagens fractais de um universo solipsista A APOTEOSE DA CARAPAÇA APODRECIDA DE WILHELM REICH. O mundo do eu sucumbe com a colisão de outros mundos, outras experiências relativas a paradoxos de vida comum, a violência humana. A tentativa aqui é mostrar de uma maneira visceral (e cada peça desse jogo a seu modo), uma realidade crua do mundo UMA CARNIFICINA TRANSFÓBICA ONDE NINGUÉM ESTÁ EM SEGURANÇA. Onde há fantasia há máscaras MASCARADO O HOMEM ENFURECE-SE E PROTEGE-SE NO ANONIMATO, de uma realidade maior, de uma realidade onde morfina dificilmente amorteceria dores familiares, dores de amantes, dores de abandonos, de todos os tipos DORES MUITAS DORES, na guerra, no cotidiano urbano de uma metrópole, numa região remota.
***
XII
(A cerimônia das luzes,
corpos em profusão ao som da
sinfonia dos ruídos indizíveis
―AO SOL.
Comunico-lhes o terror
―O PÂNICO
Deuses imaculados sobre a mesa
A muralha dos tempos perdidos...
Ergo a minha cabeça e assisto
A CARNIFICINA).
poema nº 12 de Balada para um Morto (#1), de LAURO MARQUES
No Brasil todo, há apenas 1.500 livrarias. Ridículo e vergonhoso para um país de dimensões continentais como o nosso. Mas há dados mais alarmantes ainda. A maioria dos municípios (89%) não possui NENHUMA livraria. 59% dos exemplares vendidos são didáticos, isto é, a pessoa compra porque é obrigada. 61% dos adultos alfabetizados estão afastados dos livros e 73% dos livros nas mãos de 16% da população. (Os dados são da matéria de Sérgio Augusto, do Estadão, 22/05/05, sobre a assim chamada 12ª "Bienal do Livro", no Rio, que terminou no último domingo). Com isso forja-se uma nação ávida por programas de televisão, da pior qualidade, que atingem índices elevadíssimos de audiência. E recordes no Orkut e de navegação na Internet maiores até do que no Japão e E.U.A.,
É certo que os livros são caros, e qualquer projeto sério para cultura nesse país deveria passar por uma redução nos preços para o consumidor. Ou mesmo a digitalização e disponibilização dos livros através da Internet, aproveitando a propensão brasileira para esse meio, apesar da percentagem da população com acesso a isso também ser ainda muito pequena. É uma saída, que não depende só do Estado. Hoje é possível encontrar milhares de sítios com poesias em língua inglesa, por exemplo. Uma "antologia" de poemas em inglês de Ezra Pound, disponível em arquivo PDF na rede, e já divulgada aqui no blog não sairia por menos de uns 12 a 20 USD ou R$ 30 a R$ 50,00 se fosse "vendida" no Brasil.