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29.1.05 ÍNDICE DAS FRASES MAIS NOTÁVEIS DE PALUDES, DE ANDRÉ GIDE Pág. 11 ― Disse: Ah! você está trabalhando? Pág. 107 ― Precisamos carregar até o fim todas as idéias que suscitamos. Pág. 28 ― Bom para Paludes. Pág. (*) ......................................................................... (*) Para respeitar a idiossincrasia de cada um, deixamos a cada leitor a tarefa de completar esta página. posted by LAURO MARQUES | 00:12 Comments: 25.1.05 A TRAVESSIA DE SANTA CECÍLIA Por Jorge Anthonio e Silva
Entre a pobreza e miséria há um rio de asfalto mole. Porque é verão em São Paulo e o calor intoxica as formas verticais dos geômetras. Renitente, envenena os olhos sem proteção de ozônio, contaminando o que a grandeza indiferente do cosmos fez arquitetar na história dos dias. Dia após noite após dia. A gosma densa cede com os registro indefectível dos pneus. Satânica qualidade do que é escuro, inefável brilho de laca, ignorância à luz. Na margem esquerda é dia na calçada sob o sol sem brisa. A esquerda vive, movimenta-se, erra na tentativa do acerto. A mulher transpira enrolada em seu aleijão. Nem isso é desculpa para sua condição. É velha, menos negra que o asfalto porque resultado de mistura feita ao acaso. Pai cafuso de alma mineira viril, mãe mulata de seios diabólicos, resto de amor ligeiro, pagão, no beco da igreja de Nossa Senhora da Cabeça em escuro da segunda de carnaval úmido. Vestidos, em pé disfarçando o prazer do riso alheio deixaram um no outro o que ficou para ser miséria. Pouco transpira a pele cascuda no peito descascado de cabra, curtida na velhice abjeta como leite salgado. Se fica enrolada em si não é por preguiça. Sua indolência é um acordo com o destino. Posta na margem esquerda da rua, passa ali o dia vendo quieta a dança intermitente dos passos na vertical. Quando os homens, no ritual eterno de arquitetar o mundo do dia saem das casas ainda escuro, montando bancas de inutilidades, lavando portas que nunca parecerão limpas, entregando cartas e frutas ela chega à calçada esquerda trazida por outro destino como o seu, que lhe cobra duas moedas prateadas, suficientes para a garrafa d'água. A artrose chegou muito cedo. Avisou que estava a caminho em dores finas nas articulações, profundas inesperadas picadas, delicadas pontas no tutano. E o corpo, dia a dia ordenando-se na lenta e inexorável descida em direção a terra, a quem compete o extermínio de toda a dor, fazendo o movimento humano tornar-se outra efêmera medida na a lembrança, estranha esfera obscura da vida. Se o mundo é alteridade então está tudo ali, entre as margens da avenida, rio veloz de borracha, que a mulher negra-nariguda, como um monge gótico tem que atravessar com altruísmo do silêncio na dor. Bem feito. Fedorenta, dizem uns por razões estéticas. Infeliz coitadinha, uns outros pela justeza da Ética. Descrições à parte, voltemos à realidade... sem compaixão, porque é assim. O destino de um é o seu destino e Deus, em sua infinita sonolência cósmica não interfere no mundo. Se é aqui o lugar da mulher, é dela também a solução de seus atalhos, concordaria a natureza se refletisse e não fosse apenas ato. Se pensasse e significasse tudo como os homens. Se fosse uma onça velha cega já teria morrido porque a natureza não se transgride. Mesmo no acaso dos furacões que querem o aperfeiçoamento da terra. Ninguém coloca óculos em onça cega. É porque nenhuma felicidade maior lhe será dada a conhecer pela razão, ela que se satisfaça apenas com o alívio de conseguir transpor, diariamente, o asfalto de uma margem à outra. Se quiser dormir... Se quiser continuar. Vê a Igreja de Santa Cecília, a mártir. Ouve os cânticos mas não reza porque não teve tempo de aprender. E Santa Cecília só ouve músicos. A história deve continuar...Resumindo: a mulher amanhece na margem esquerda, trazida por outro mendigo. E é verão (lembram-se?). Sentada em seu degredo abre a sombrinha e protege o reino. À volta do corpo retorcido, uma pequena muralha de papelão pouco medindo e que dá os exatos limites entre a sensação do íntimo bem estar e o mundo. Naqueles propósitos de faltura há muito. Meia banda da lata que abrigou um queijo Palmyra, panos de velha tez e urdidura frouxa escritos com as tintas abstratas dos dias. Um risco borgonha que vazou da ferida, outra mancha de pulga estalada nas unhas. Restos e cal em relevo, um chamuscado amarelo, catarro seco brilhante e a deposição implacável de uma incompreensível pátina tendendo ao vulgar marrom da sujeira. O dia é calmo nas fronteiras de papelão: as mãos puxam uma perna para a frente fazendo das paredes um itinerário impreciso com resultados circulares na geografia das pernas. Há quem deixe cair ali dentro notinhas verdes, dinheirinho que a heroína deixa guardadinho. Bem. Os perigos são tantos e a proximidade física do sexo serve como barreira inexpugnável para aquilo que lhe dá diária certeza da travessia. Recebe maçãs, beringela com pão, sobras de aniversários e assim vai contemplando nos dias o curso da rua, desde o aquecer do asfalto até o fechar da sombrinha. É a hora em que, por um valor aleatório de mercado, seu escudeiro a leva para o outro lado, o direito. Nos ombros. Primeiro as paredes, o mobiliário de panos, a serventia das latas, o conforto da almofada. Depois, na intimidade nos braços ele a transporta no colo como um bebê morto. Não falam porque o pacto do silêncio é pressuposto do respeito. Há nessa repetição diária um potente edifício de escuridão sob a marquise da casa bancária com o teto feito cobertor. Lá, tantos destinos feitos panos-de-chão molhados, presos ao espaço onde estão pelo relaxamento do corpo em cachaça. A miséria do dia torna-se pobreza, na margem a direita, quando em sonho todos são livres no automatismo do inconsciente. Na direita dormem. E nenhum sonho se repete... posted by LAURO MARQUES | 23:07 Comments: Comentários de Jorge Anthonio e Silva (*) [Sobre Revolução (A busca pelo céu) (poema em prosa)] "Li seu poema-prosa ou prosa-poema. Incrível como sua fragilidade aparente carrega um [torpor], uma voragem às avessas como se você estivesse sendo tragado pelo teto de uma igreja barroca (desculpe-me o comentário). Pensei nos Contos de Maldoror, em Lautréamont, no Bateau Ivre de Rimbaud, em Cruz e Souza em sua patologia pela cor branca e em Augusto dos Anjos que tenho gravado por Othon Bastos. Sinto uma força, um vigor, um desespero em sua prosa-poema. Isso me conforta muito. É como a descida de Dante ao inferno." (*) JORGE ANTHONIO E SILVA é escritor e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUCSP. É autor dos livros Arte e Loucura ― Arthur Bispo do Rosário (Educ/FAPESP); Naive Painters Brazil ― Ivonaldo (Empresa das Artes), Fragmento e Síntese ― A educação Estética do Homem (Perspectiva). Pesquisador e editor de Aisthesis ― Revista de Estética. posted by LAURO MARQUES | 23:05 Comments: 24.1.05 Davos 2005 Paulo Coelho será um dos debatedores que irá encerrar a reunião do fórum econômico mundial, em Davos, nos alpes suíços, esse ano. O mago das letras nacionais irá apresentar o seguinte tema: "Quando a economia serve para o povo". Infelizmente, Lula, que voará para Davos no seu avião de 56 milhões de dólares, não estará presente à sessão. posted by LAURO MARQUES | 17:50 Comments: Elio Gaspari: "Internet cara é coisa de pobre" Eu já desconfiava mas artigo de Elio Gaspari ontem na Folha, confirma que Internet cara é coisa de pobre. Segundo ele, a cidade de Filadélfia (5 milhões de habitantes) promete cobrir toda a sua área pública urbana com rede de acesso rápido, sem fio, e o mais importante, totalmente gratuito. Os escritórios e residências continuarão pagando a tarifa da banda larga, e a prefeitura promete um serviço a custo zero para quem precisa de ajuda. Ainda segundo informa Elio Gaspari, "As redes de internet sem fio já funcionam em cerca de 20 cidades americanas. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, quer cobrir toda a cidade. São Francisco também. Do outro lado do Atlântico, Bruxelas deverá ser a primeira capital européia a oferecer a mesma facilidade. Na Califórnia, a empresa SBC cobrará dos seus clientes US$ 2 adicionais por mês pelas conexões de rua, sem limite de tempo. Atenderá até nas barracas de camping dos 85 parques públicos do Estado." Só para completar, Gaspari explica que o dinheiro virá de uma Parceria Público-Privada: "Uma cidade coberta pela internet sem fio poderá arquivar boa parte da sua infra-estrutura telefônica. Isso porque a comunicação de voz pela rede fará brutal concorrência aos sistemas conhecidos hoje. É a tal 'voz sobre IP', do qual os concessionários de telefonia brasileiros não gostam nem de ouvir falar. O governo de Lula conseguiu um avanço ao negociar uma tarifa para microempresas e famílias sem recursos. As operadoras cobrarão R$ 5 por 15 horas mensais de conexão. É pouco tempo, mas é muita coisa. Indica a vontade de tirar o pé do Brasil da lama." posted by LAURO MARQUES | 14:01 Comments: It will tear us apart Por "La nariz que carcajea" ― Amor, como eu poderia te ferir? Disse ela com a faca afiada em cima de seu peito. ― Veneno, vem meu veneno, vem! Tudo sabido: O amor estilhaça corpos na madrugada. posted by LAURO MARQUES | 13:49 Comments: 23.1.05 Encontros Estéticos 26/01 - 20hs - Olney Krüse - A Estética do Kitsch 27/01 - 20hs - Vânia Toledo - O Retrato, a Fotógrafa e o Modelo 28/01 - 20hs - Neiva Pitta Kadotta - Dionélio Pires e Dostoiewski 29/01 - 17hs - Jorge Anthonio e Silva - Arte e Loucura 31/01 - 20hs - G. Bianchetti comenta sua obra Coordenação: Jorge Anthonio e Silva Local: Conjunto Cultural da Caixa Econômica Federal - Galeria da Paulista Av. Paulista, 2.083 (Conjunto Nacional) Entrada franca posted by LAURO MARQUES | 13:20 |
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