"O verdadeiro pecado é escrever para o público." (Paul Valéry). "Blot, blot, good Lod'wick!" (Shakespeare, Edward III). "Dei uma olhada no seu instigante blog/ site... Indiquei seu site para pessoas interessadas na discussão sobre a aporia das artes" - Affonso Romano de Sant'Anna.
A Mácula
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15.1.05 Poemas por dez centavos / Poemas de mote e glosa


Nos modo di Zé Limêra,
Da Paraíba Premêra
Respondo co'outo puema
Di mia própa otoria
Decenu na ribancêra
Cumenu ua melancia
À mó num perdê o mote
Mal de jumento é chicote
O Sapo é primo da jia
Falano pelos cangote:


A NORMA
Lauro Marques


E se o povo falasse, o que o povo diria?
E se o povo quisesse, o que o povo queria?
E se o povo "normasse", a norma normalizaria?
A norma é masculina, mas ela certamente dá à luz.
Daria?
A norma daria?



posted by LAURO MARQUES | 12:08
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14.1.05 Vamos participar dessa festa cívica!


AeroLula, o novo avião do Presidente Lula pousa em Brasília na madrugada de amanhã.

Folha Online - Brasil - Lula gastou mais com seu avião que com saneamento - 06/01/2005


Comentário de Fábio Barbalho Leite

Lauro et al,

Acalmai vosso iracundo civismo, cidadãos! A Folha, como de seu uso, dá a informação pela metade, descontextualizada e na linha do marketing do escândalo. Pode ser discutido, sim, o custo-benefício de comprar um avião nos termos do adquirido pelo atual governo, mas dizer simplesmente que se gastou mais com avião do presidente que com saneamento espanta apenas porque o jornal omite a informação relevante de que o grosso das verbas federais para o saneamento espera a solução de problema importantíssimo: a definição das competências próprias dos entes federativos quanto ao serviço de saneamento, o que, como diante da constituição é uma polêmica do caramba com os interessados (sobretudo, municípios e companhias estaduais de saneamento) puxando cada um o filé para sua brasa, é somente possível com a produção de uma legislação que resolva claramente o assunto e passe pelo beneplácito do STF nas prováveis adins que serão propostas pelos setores que se sentirem prejudicados. No momento o projeto de lei está para ir ou já foi encaminhado pelo governo ao Congresso. Só após isso é realista e razoável esperar a colocação de dinheiro público ou privado no setor. Enquanto isso, qualquer outro gasto governamental vai facilmente ser "maior" que a dotação gasta com saneamento. Até a verba gasta pelo governo federal com marketing em imprensa escrita - o que "espantosamente" a folha não reclama.

Abraço,
--------------------
Fábio Barbalho Leite


Comentário de Lauro:

Claro, claro, está tudo muito bem explicado, mas não convence nem a velhinha de Taubaté, pois quando se trata de uso do dinheiro público para gastos como esse da compra do avião por US$ 56,71 milhões, não há nenhuma complexidade. A explicação que é díficil não convence porque espera-se de um governo justamente que seja capaz de resolver esses embaraços legais. Também não explica por que segundo a matéria da Folhaonline, "Do total de R$ 15,2 bilhões de investimentos autorizados por lei em 2004, R$ 4,4 bilhões foram simplesmente ignorados, ainda segundo dados do Siafi. Fazem parte da economia de gastos para garantir o superávit primário de 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto), fixado pelo governo."


abraços, Lauro.

posted by LAURO MARQUES | 10:41
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13.1.05 Dando continuidade a um projeto antigo de publicar aqui no blog não apenas textos meus, mas também de colaboradores, segue uma blasfêmia que me manda o Gustavo Castro, digna de um ex-seminarista.

Lauro Marques Editor d' A MÁCULA
A MÁCULA é um jornal para os que não têm vergonha de si mesmos e amam a máscara.

posted by LAURO MARQUES | 00:18
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11.1.05 Do lodo ao céu - Fragmentos de interpretação crítica, uma viagem única com Salomão Feitosa

Infância II
― Lauro, não sei se gostei. Pretendo abordar este assunto com você, como desdobramento de uma "inimizade" que fiz ontem. Mas tem que ser com calma, muita calma.

― Porto primeiro: Lauro, a infância, nem a sua, nem a minha, nem a do pior infante foi assim tão ruim. Perdido no lodo? Que lodo? Os meninos no tsunami, eles estariam no lodo? De forma alguma, com todo o respeito, e já demonstro que não.

― Você, Lauro, era apenas um infante, na Seca de 93, quando, uma reportagem espetacular, na Globo - logo de quem, da famigerada Globo - mostra a seca e, na seca, um menino brincando sozinho com um curral de gado de osso. Não dá para contar! A panela? quem falou em panela? Mas aquele infante não estava perdido, nem à beira do caminho, muito menos no lodo, posto que a INFANCIA a tudo sacralizava. Tudo o mais era imundo, repórte e ouvinte inclusos (eu), mas o menino, não.

― Aparece, na mesma sequencia da reportagem, outro menino, era um negrinho-todo-preto, desses bem roliços, uns cinco anos; os adultos cavavam um cacimbão e dispararam num veio súbito. Puxam os baldes cheios. Banham o MENINO. A face dele? Quem falou em maldição? Se virou presidente da república? Claro que não. Nem por isso!

― Ah, o MENINO, meu caro Lauro, dedico o Salo ao Menino. Parece que um desses muitos menos seria Castro Alves, aos 23 escrevendo o Navio, para mim ainda menino, mas o livro inteiro gira em torno dessa mística: o MENINO, um certo menino que não se sabe quem.



― Feitosa, explicando: pois foi depois que eu li aquele seu conto da flecha da besta perdida, lembra? Por isso dediquei a você o poeminha, a flecha é metafórica. Assim como o lodo (apesar de real e existente, o meu lodo, amado lodo das Bananeiras onde passei/passou minha infância). Não disse que foi ruim. É mais uma exigência, uma imposição ― note o imperativo DEIXE, o que está em jogo no poema é a perda da inocência.

― De certa forma o Tsunami (esse assunto que retorna) foi uma perda da inocência para muitos que ainda acreditavam numa natureza originalmente boa, a qual o homem deveria se "unir" (WB Yeats), mas isso é mais um sentido colateral do principal proposto no poema. Lembro da reportagem do menino, como chorei com aquilo! Do Globo Repórter. Aquilo me marcou. Foi em 93? Eu tinha 22 anos. E também do menino-passarinho, lembra? Tudo isso me comove e ao mesmo tempo me revolta. Aqueles meninos foram sim privados de sua infância, Feitosa. O menino pode ter migrado para o sul e virado um marginal. O que há de sacro nisso?

― Todo poema é cíclico, você sabe disso, ele termina na última frase e recomeça de novo. Ontem, tudo recomeça, o fogo queima para depois se apagar, à seca, segue-se a chuva, e tudo fica para trás. Independente de nossos desejos. É isso.

― A chave para interpretar corretamente o poema talvez seja não ler "lodo" apenas na conotação pejorativa.

― Lodo, nesse caso, serve muito mais para marcar a passagem do tempo, de algo que se acumula.

― "Perdido no lodo" ( no tempo acumulado) entre hoje ―e ontem.
..............................."Não,
..............................."não foi ontem,
..............................."foi ind'agorinha!"
............................... ―Soares Feitosa.

― É claro que essa passagem traz consequências à Criança. A mais "pura", mais "enlameada". Isso é ambíguo, de fato.

― Está ligado de várias maneiras à INFÂNCIA (Gênesis).



― O lodo elementar, meu caro Lauro, agora, sim!

― Veja, aquele lodo que se inicia como um pequeno grude no rabo do porco (e no pescoço do Pequeno Jornaleiro), todos os dias, sob novo "banho", o suino ganha uma nova camada... forma-se uma bola, bem redonda, dura, tesa, como se fosse um terceiro ovo, à solta, poloco-poloco, o bicho correndo, o "ovo" batendo. Assim, pode! E nós achando bonito de ver, até correndo atrás. Havia a lubricidade, bem juvenil de reparar a monumental trrepada do porco em cima de comadre porca, com as preliminares de um fuçado incrível (e muita espuma) aos peitos daquela distinta senhora, a porca.

― Seria a quela mesma lama-lodo, de um certo, a perda da inocência, cada fina camada de MUNDO, um acumular suave e diuturno de "novos banhos"... e putaria, é de lei! Ah, meu caro Lauro, faltam estradas para tanto caminho.

― Bom, nao lembro da reportagem do menino-passarinho. Aquela da seca me tocou fundamente, o brinquedo de gado de osso. Sei toda nomenclatura da agropecuária "óstea", os currais-de-gado, todos os bchos, vaca, touro, garrote, bezerros, cachorros, cavalos, éguas, porco, bode, paro e peru, tudo de osso. Sei também o catálogo completo das naus dos aqueus e não me fujo de saber por igual a nomenclatura integral de Patópolis. Ah, meu caro, tudo isto é viagem apenas única.

― A infância roubada? Desconfio que não! Tem, ou tanto quanto, muito mais chance de usufruir de uma melhor QVI (qualidade de vida interior) do que nós, tão aflitos com tantas cavalhadas.

― Há uma segunda reportagem, com o mesmo menino do gado de osso, casado, pobre naturalmente, ele com a nossa cara, a minha e a tua.... destas terras secas, a nossa terra:

http://www.jornaldepoesia.jor.br/feito17.html

― Lauro, a essência de SALOMÃO é intentar essa viagem mágica, imperceptível, entre o lodo-terra (o chão, o barro molhado, tão bom de enlamear menino), e os céus, tão bom de alteá-los aos olhos.

― Mas não é uma viagem de mudar-se de um polo para o outro; é permanecer ligado, on line, com a cabeça no chão e os pés nos céus!

― Dervixeando, em franco e permanente rodopio.

― Se vou conseguir?
― Sei não! É o meu temor.

― Arrepare nesta figura, a palavra guageujada sem guaguejo:

Existe
um atré...
atrevimento
no jeito de pegar,
no jeito de lançar:
um polegar na barriga do bólide
um indicador em cima do pino
onde se instala a laçada do cordão
a outra ponta do cordão dobrada,
depois de enrodilhar o bicho todo,
do prego até acima do meio, bem forte
engancha-se-lhe a ponta do cordão no fura-bolo
para o arremesso
e um puxão ao vento
(quem gira é o ar)
e unha e calma
(tenho a marca-de-unha, até hoje)
a calma de pegar
o bicho no ar:




posted by LAURO MARQUES | 11:46
Comments:

9.1.05
posted by LAURO MARQUES | 16:42
Comments: NA CIDADE INSOSSA
LAURO MARQUES


Na cidade Insossa
jorra o petróleo
e o sal se acumula no ar
e nas casas não há esgoto.

Não há placas de trânsito nas ruas
nem ônibus circulando;
Há muros caiados de branco extensos
cemitérios e mendigos
perambulando.

Há estradas esburacadas e políticos
íntimos demais;
Bicicletas e carroças de animais
passeando.

posted by LAURO MARQUES | 13:35

A MÁCULA é um jornal para os que não têm vergonha de si mesmos e amam a máscara.

Ameaçando a escuridão, música -demo version- do CD do MACACCO(mp3.zip)

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