"O verdadeiro pecado é escrever para o público." (Paul Valéry). "Blot, blot, good Lod'wick!" (Shakespeare, Edward III). "Dei uma olhada no seu instigante blog/ site... Indiquei seu site para pessoas interessadas na discussão sobre a aporia das artes" - Affonso Romano de Sant'Anna.
convido a quem se interessar por essas coisas estranhas q fazem aquilo q chamamos de música hoje.
DOMINGO 08/08
um concerto no teatro são pedro, as 18hs com obras de arrigo barnabé, silvio ferraz e olivier messiaen (o belissimo quarteto para o fim do tempo)
SEGUNDA 09/08
outro concerto no teatro aliança francesa-general jardim , as 20hs com obras eletroacusticas de flo menezes e alunos, grupo akronon, fernando iazzetta,
j.a.mannis, r.caesar.
este concerto será longo...meioq são dois concertos mas pra quem gosta vale conferir...todo, ou uma das duas partes.
[...] Mas o grande choque nessa exposição é entrar numa sala especial, toda organizada para que se destaque o que é considerado a sua obra prima: "Notívagos 1942" --- aquela tela que mostra algumas pessoas como pássaros noturnos empoleirados junto ao balcão de uma cafeteria. Há um silêncio aterrador nesses quadros. Aqui nem o vento, que noutros sopra. Apenas a noite e, como diria Drummond, "e uma espantosa solidão".
Sobre esse quadro, o próprio Hopper dizia: "Isto me foi sugerido ao ver um restaurante em Greenwhich Av. onde duas ruas se encontram. Eu simplifiquei a cena bastante e fiz o restaurante maior. É provável que inconscientemente estivesse pintando a solidão numa grande cidade".
O Argumento é a forma de símbolo através da qual todos os outros fenômenos podem realizar seu significado último (Parker 1998). Não precisa ser expresso na forma silogística ou simbólica: "um Argumento é qualquer processo de pensamento razoavelmente tendendo a produzir uma crença definida" (Peirce CP 6.456).
O texto de ARS fornece as premissas e o depoimento do autor fornece a conclusão. Vendo o quadro, qualquer pessoa seria capaz do seguinte raciocínio:
1. A tela mostra algumas pessoas junto ao balcão de uma cafeteria.
Um segundo pensamento, poderia advir dessa primeira observação, para alguém com uma sensibilidade um pouco mais apurada: "essas pessoas parecem pássaros noturnos empoleirados". (Nesse caso, saber o título em inglês, Nighthawks, cuja a tradução literal é de uma espécie de bacurau, um pássaro de hábitos noturnos, ajudaria mas não seria absolutamente necessária.)
2. Há um silêncio aterrador, "uma espantosa solidão".
3. É provável que o artista estivesse pintando a solidão numa grande cidade.
A iluminação, as cores, a própria postura dos personagens, sua expressão, o enquadramento, tudo isso vem em reforço dessa impressão que é um sentimento razoável. Sendo essa a espécie de cognição que podemos ter ao observar um quadro, e que vem confirmar aquela outra impressão, cujo impacto é imediato, que vem "de uma só vez", antes mesmo de termos tido tempo de refletirmos mais detidamente sobre ela.
Podia-se pensar ou sentir outra coisa? É claro que sim! Podia-se pensar ou sentir qualquer coisa? Definitivamente não. Da mesma forma que não podemos dizer que o [Saturno de Goya] tem o sorriso da Monalisa ou que algumas vezes, "parece zombar de nós" e em outras vezes "temos a impressão de surpreender uma sombra de tristeza no seu sorriso." (Gombrich 1999a: 300).