"O verdadeiro pecado é escrever para o público." (Paul Valéry). "Blot, blot, good Lod'wick!" (Shakespeare, Edward III). "Dei uma olhada no seu instigante blog/ site... Indiquei seu site para pessoas interessadas na discussão sobre a aporia das artes" - Affonso Romano de Sant'Anna.
23.7.04
São Paulo, 10 graus, Santa Anna (Mendoza), 13 graus
Poeta bom é poeta morto. Sempre penso nisso quando ouço falar de fulano de tal, o maior poeta vivo. Para nós, Fernando Pessoa ainda é o mais importante. Pegue um volume qualquer de suas obras, dificilmente achará pessoas mais vivas na rua. (o trocadilho é completmente intencional). Outro vivíssimo, para mim, é Nietzsche. Dizem dele que foi mau poeta. Não concordo. Acho que é um poeta lúcido. Talvez lúcido demais. Sua poesia deve ser lida como um complemento de sua filosofia, inexoravelmente atada. Talvez por isso sua Qualidade deva ser apreciada de outro ponto, que não o poético, apenas. Sua poesia deita raízes profundas, mas a poesia, essa flor exótica, tem necessidade ao mesmo tempo de sombra e luz. Ela não pode ser deixada muito tempo no escuro, senão perde o viço, e não pode viver por muito tempo também sob a luz. A poesia tem necessidade de mudança. Como qualquer outra coisa viva.
Não sabes a que veio, não Tu
também não sabes o que fazes
Aquele só saberia da garganta
aberta, à hora em que o nó apertasse...e
Liberta o sol a sombra que move e
esconde a serra que sobe por detrás
............................................da névoa
quando chove.