| A Mácula REVISTA ELETRÔNICA, JORNAL DE BORDO E POESIAS DE LAURO MARQUES© macula@estadao.com.br........................................Arte+Estética+Poesia+Literatura+Comunicação+Filosofia. |
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10.1.04 IX-EU FRAGMENTADO EU, Moribundo feto de vontades incubadoras De espírito indelével e falho Amante das cousas não duradouras Aos quatro elementos me espalho: LÍNGUA LAMBE A NAVALHA CARNE ROMPE OS TENDÕES PEITO NÃO CABE NA MALHA NEURÔNIOS DESATAM EMOÇÕES! Rompimento craniano do acaso Morbidez inveterada dos traços Glorificação dos termos da loucura Que à noite torna espuma aliterada e fútil cobre de terra, excessos, inútil Galga os montes de escória Roga dos deuses a memória Come o esterco dos dias Rouba de si mesmo o silêncio. Cidade de Natal, 1990 posted by LAURO MARQUES | 17:24 Comments: 9.1.04 Cinema --- Nanni Moretti Em Bianca, Moretti interpreta um professor de matemática perdido em meio a obsessões e incapaz de constituir um par amoroso. Uma de suas obsessões, no entanto, é observar casais, de quem se torna amigo, até que um deles o "decepcione" (brigas, traições, separações não são perdoadas). Ele gostaria de prender-se na gaiola de seus comportamentos habituais, e ser um trabalhador respeitável, e também alguém que sabe preparar um spaghetti. Seu idealismo entretanto o leva a negar o amor quando ele aparece e faz com que ele venha a ter explosões de violência --- um pouco como o personagem principal de um filme de outro diretor, recente, Embriagado de amor, sendo que no caso de Moretti, o amor não redime nada, ele é incapaz de aceitar uma felicidade que não seja absoluta, com consequências trágicas. Não é exatamente um filme de humor, ainda que se possa rir aqui e ali das esquisitices do personagem. O tom porém é de uma reflexão, que é ao mesmo tempo crítica dos tempos (início dos anos oitenta) e "escárnio do artista ao ser humano" (Nietzsche). posted by LAURO MARQUES | 14:24 Comments: 8.1.04 Cinema São Paulo é definitivamente uma cidade para cinéfilos. Acabo de ver Bianca, de Nanni Moretti. Compará-lo com Woody Allen é uma idiotice e sobretudo uma injustiça. Moretti é italianíssimo, nada tem de new yorker. O filme é muito esquisito para não dizer esquizóide. Não sei dizer o que me agradou nele, gosto do lado reflexivo ---talvez o que justifique a comparação com Allen, mas pelamordedeus não é o unico a fazer cinema inteligente, para adultos, e seres humanos (sim, tem cinema para cachorro, gato, rato, e seres de outros planetas), graças a deus. Mas falava que são paulo é privilegiada. Chovia e do outro lado da rua, à saída do cinema, todas as outras quatro salas passavam bons filmes---Satyricon, Adeus Lenin, As Invasões Bárbaras e outro que não me lembro. (Breve: Dogvile). E fiquei pensando: e porque será que há tão poucos filmes brasileiros "assistíveis"? Nessa cidade? Falta de incentivo não é, pois o governo Lula tem investido em imagem mais do que todos os outros---o ministro da cultura Gilberto Gil já falou que é "ministro da cultura e do cinema", separando com muita propriedade uma coisa da outra. Por que será? posted by LAURO MARQUES | 20:43 Comments: Simbolismo Outro poema antigo (1994?), bispo, você tem razão, no começo era mais simbolista:Veja o que acha desse: Interlúdio - Primeiros Poemas ........II Quereria por fim todas as minhas dúvidas, entregar-me de vez a essa infelicidade ― os corpos já lacerados, as tristes histórias, na loucura e no amor fatigados ― ou seria melhor sofrer no peito as dores de um parto não realizado? (Ó deuses! Demência! Diabo! Ainda que fosse possível aplacar sua ira ― a ela fosse-me dado o menor sentimento de culpa!) Se ao menos fossem felizes! Que importância teriam para mim, todos os sonhos e pesadelos do mundo? Se fóssemos PEDRA, quem tiraria de nossas costas o LIMO? E sustentar um peso impossível... De todas as nossas fraquezas, a pior das piores. posted by LAURO MARQUES | 13:44 Comments: 7.1.04 BALADA (2) .....V - DESCIDA Luzes fugidias de aço cintilante, punhais metálicos de frio, melancólicos pontos cortando vastidões. Tristes senhoras cingidas de véus, nuvens, lançando-me olhares, atroz. "Sombria sensação". Subida ao cadafalso. A contemplar, filão de cidades re-esquecidas, pulsos ratificantes, rasgões de seda no véu da nuvem-estrela cinza mesclada de chuva de noite vestida O parapeito aberto de mármore os braços apontando, direção. "O vento sente o cheiro da carne. E o meu suspiro é beijar-te". "Sombria sensação". Descida. posted by LAURO MARQUES | 22:53 Comments: 6.1.04 Norte e sul em Nietzsche II In the South On a crooked branch I sway And rock my weariness to rest. A bird invited me to stay, And I sit in a bird-built nest. But where am I? Far, far away. The white sea stretches, fast asleep, A crimson sail, bucolic scents, A rock, fig trees, the harbor's sweep, Idylls around me, bleating sheep: Accept me, southern innocence! Step upon step---this heavy stride Is German, not life---a disease: To lift me up, I asked the breeze, And with the birds I learned to glide; Southward I flew, across the seas. Reason is businesslike---a flood That brings us too soon to our aim. In flight I rose above the mud; Now I have courage, sap, and blood For a new life, for a new game ... To think in solitude is wise; Singing in solitude is silly. Hence I shall sing, dear birds, your praise, And you shall listen, willy-nilly, You wicked, dear birds, to my lays. So young, so false, so full of schemes, You seem to live in loving dreams, Attuned to all the games of youth. Up north---embarrassing to tell--- I loved a creepy ancient belle: The name of this old hag was Truth ... mais poemas de Nietzche Leia também post anterior posted by LAURO MARQUES | 21:13 Comments: "Of all that is written, I love only what a person hath written with his blood. Write with blood, and thou wilt find that blood is spirit."
1996, oil on canvas, 31 by 39 inches http://www.nietzsche.ru/english/index.html posted by LAURO MARQUES | 20:56 Comments: VIII Vai balada, vai Vê no cristal a fala, o teu fado Canta! O que te falta? (Graça, riso, pranto?) Vai! Não foste? Temes a carne? Acaso não sabes? Por mais afiada a faca Não fere o covarde Vai! Ardeanda Incendeia & Dança Alardeando versos tropeçando em chamas Vai e fere Feminina lâmina Pluma temerosa em fender o espaço ...em branco! ......―Improvável como um canto é .........O mar-anzól ............Verão nenhum ou coisa inanimada ...............Ruminar as noites insensível ao tato ............O vento-nordeste esfriar as costas ...............Estremecer o asfalto alinhavar as caras ............Laço ou ato, enfim, infindável. posted by LAURO MARQUES | 14:52 Comments: 5.1.04 A poesia é um centauro Alcir Pécora em artigo na Folha, domingo 04/01/04 (Caderno Mais!) COMENTA OS NOVOS LIVROS DE AGE DE CARVALHO, RÉGIS BONVICINO, MARCOS SISCAR, FABRÍCIO CARPINEJAR E PAULO HENRIQUES BRITTO. Apesar de também querer ir na direção contrária ao discurso na poesia ---ainda que reconheça em alguns dos meus poemas uma, até certo ponto, "condenável" "veia sentenciosa", discordo da afirmação do ensaísta de que "convém ao artista do ínfimo (e do sensível)" ---ele quer dizer, o poeta --- "fugir da sabedoria como da peste". A poesia é um centauro. Metade lógica, metade música. "Poetry is a centaur. The thinking word-arranging, clarifying faculty must move and leap with the energizing, sentient, musical faculties." EP, Literary Essays of Ezra Pound, New Directions, New York, pg 52. KYBERNEKYIA A Hypervortext of Ezra Pound's Canto LXXXI
posted by LAURO MARQUES |
15:15
Comments: 4.1.04 BALADA (4) .......VII Força herculínea Ou Frágil- Idade "Tenho uma galáxia dentro de mim" (Ri) "Ritornare". posted by LAURO MARQUES | 19:50 |
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