"O verdadeiro pecado é escrever para o público." (Paul Valéry). "Blot, blot, good Lod'wick!" (Shakespeare, Edward III). "Dei uma olhada no seu instigante blog/ site... Indiquei seu site para pessoas interessadas na discussão sobre a aporia das artes" - Affonso Romano de Sant'Anna.
A Mácula
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2.12.03 Correspondência com Valdir Rocha (*)

Prezado LAURO MARQUES,

Li seus textos, com calma. Apreciei bastante. Têm densidade. Dizem muito.

A Revolução que diz ser "poema em prosa" talvez seja mais propriamente prosa poética. Remetem-me ao Livro do Desassossego, do Fernando Pessoa, por conta das divagações - - - muitas delas cifradas, como no seu texto ("A nova linguagem será cifrada"; "Causa-me horror a transparência das fórmulas acabadas").

O seu "Post-Scriptum" e a "Balada para um Morto" me remetem aos "Poemas Póstumos", parte dos "Testamentos", do vivíssimo Celso de Alencar. Você o conhece?

De sua "Balada", destaco a seqüência IX: "A Alma" - - - dou título que não está expresso, porque desnecessário, só para identificar. Muito bom.

O "Interlúdio" quebra a "Balada". São bons poemas mas não tenho certeza de que seja boa a quebra. Dessa parte, aprecio o poema sobre os demônios (VIII).

Você capturou bem a Bacon, nos "Quadros". ( I ), ( II ), e ( III ). Suas palavras também gritam, fazendo eco à pintura dele.

No seu blogger, vi versão nova do nº III de "Balada para um Morto" (4). Onde diz "Agora nunca mais --- evapora / E já --- mais retorna", eu tiraria o i de "mais", mas aí seria outro poema. Fique com o seu.

Cordialmente,

Valdir Rocha


(*) Valdir Rocha é artista plástico, escultor, desenhista, gravador (com ênfase na xilogravura ou gravura em metal), pintor, editor. alguns dos livros, recentemente lançados, sobre sua obra incluem: "Cabeças", São Paulo: Arte Aplicada, 2002 e "Gravuras em Metal - Valdir Rocha", São Paulo, Artemeios: 2002.

Leia um texto poético sobre o quadro "Fui Eu!" de Valdir Rocha
posted by LAURO MARQUES | 16:07
Comments:

30.11.03 V

Demônios, Blake
trombetas, o oceano-sono
passeia nessa
tarde insana
que
sonha o som
com sede exangue.
posted by LAURO MARQUES | 02:05
Comments: IV-Broken-ballad

Uma balada como qualquer outra
Uma balada solta, louca
Costumeira e arredia
Que interfira nesses dias em que
................Chovescorre uma matéria mole
........Da janela que avista o dia
Broken-ballad
Uma balada alegre que brote
Desse peito enorme-inerme
E explode irradiante
Da beleza ajoelhe e açoite
Se provar for ela belaamarga dama
Sem razão de ser alguma
Uma balada como essa
Traga de novo a fonte
Que recomeço algum acaba e
(Traga) como poesia-água esfumaça e
Funda e corre e (solitária)
Soa.
posted by LAURO MARQUES | 02:05

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