"O verdadeiro pecado é escrever para o público." (Paul Valéry). "Blot, blot, good Lod'wick!" (Shakespeare, Edward III). "Dei uma olhada no seu instigante blog/ site... Indiquei seu site para pessoas interessadas na discussão sobre a aporia das artes" - Affonso Romano de Sant'Anna.
O curió é um pássaro que aprende os sons de outros pássaros. Por isso tem que viver isolado. Se for selvagem furam-lhe os olhos porque briga muito. Pode custar R$150.000,00 se conseguir cantar o canto praia, criado por um favelado que montou em um CD vários sons de curió e fê-lo aprender a fazer esse canto. Há concursos na Moóca bancados pela Prefeitura. São três avaliadores. O dono tira uma capa da gaiola e pendura-a numa tora e ele começa automaticamente a cantar. O bom curió canta 30 minutos sem deslizar o canto, como um grande cantor de ópera.
clique no link abaixo para ler na íntegra um conto inédito de Jorge Anthonio:
O NATAL DOS PARDAIS.doc
posted by LAURO MARQUES |
03:15Comments: Comentários aos poemas
Jorge Anthonio e Silva (*), pessoa humaníssima, de quem tive o prazer de ser seu aluno, durante um rápido curso na PUCSP, me manda por e-mail o seguinte comentário sobre o poema O Campo de batalha :
Quanto ao poema, confesso que não me sei se me sinto capaz de uma análise. Posso dizer, de imediato, o que me transmite. Você sabe que poesia é algo paratático e, por isso, dificílimo de análise. Sinto nele um momento de tristeza ou de descrença muito grande do autor. Ao mesmo tempo, ele me passa a sensação de que existe uma expectativa de triunfo em uma espécie de torpor, no qual a verdade não cabe muito bem. Talvez a palavra falsificada tenha uma relação pouco estreita com a palavra verdade, pois esta é sempre absoluta, e a falsificação seja algo transitório, porque a verdade deverá triunfar sobre ela, eticamente. Mas acho que esse dialogismo, essa cisão que o poema apresenta seja um espelho do autor, um pergaminho pessoal muito bonito e com um desejo confessional de uma mudança. Essa mudança pode ser de uma situação universal de tédio, descontentamento, impotência para a ação e espera, ainda que no estado de pouca lucidez, porque algo continua "insone".
Bem, como eu disse, acho que sou impróprio para a análise poética. E me perdoe se disse bobagens. (...) Mas acho lindo o poema, verdadeiro e, mais que isso, um desabafo.
Resposta:
Jorge, sua análise do meu poema é perfeita e fico espantado como às vezes a linguagem poética parece a mais adequada para a comunicação. Pois nos entendemos, sem muito esforço. Nos entendemos até no desentendimento. O poema O Campo de Batalha é sobre a busca da verdade. Escrevi os segundo, terceiro e quarto, versos "combalida e nua/ (ou apenas como im-/ pura poesia)" , depois de procurar na internet um link para o poema "The Battle Field" de WILLIAM CULLEN BRYANT, parafraseado no título e nos versos "a verdade esmagada/ ressurgirá do pó/em que foi lançada "
("Truth crushed to earth shall rise again;"), e encontrar, para minha total tristeza, os mesmos versos num site nazista. Você captou bem meu momento de descrença. Pensei: a verdade retornará como poesia! Mas não pode ser mais pura. Obrigado pelos seus excelentes comentários.
(*) Jorge Anthonio e Silva é escritor e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUCSP. É autor dos livros Arte e Loucura --- Arthur Bispo do Rosário (Educ/FAPESP); Naive Painters Brazil ---- Ivonaldo (Empresa das Artes), Fragmento e Síntese ---- A educação Estética do Homem (Perspectiva). Pesquisador e editor de Aisthesis ---- Revista de Estética e Crítica de Arte Brasileira.