"O verdadeiro pecado é escrever para o público." (Paul Valéry). "Blot, blot, good Lod'wick!" (Shakespeare, Edward III). "Dei uma olhada no seu instigante blog/ site... Indiquei seu site para pessoas interessadas na discussão sobre a aporia das artes" - Affonso Romano de Sant'Anna.
A Mácula
REVISTA ELETRÔNICA, JORNAL DE BORDO E POESIAS DE LAURO MARQUES© macula@estadao.com.br........................................Arte+Estética+Poesia+Literatura+Comunicação+Filosofia.
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27.9.03 Quadros
Tríptico de Bacon
I

O que esconde esse teu rosto
Que não podemos fitar?
O que procuras dissimular
exilada num córner qualquer triangular
e encurvada?
(Uma ressaca brava...)

Por que olhas esse ponto, por quê?
Porque pareces querer voar
-- mas não podes --
anjo torto
e contorcido
a lembrar uma mulher

que amamos um minuto antes
de nos desesperar.


[Three Studies for Figures at the Base of a Crucifixion]

Leia os outros poemas dessa sequência:

[II]

[III]






posted by LAURO MARQUES | 19:02
Comments: Achado-Pronto ontem na casa do amigo Fábio

Beau de l'air:
As Flores do Malbec.
posted by LAURO MARQUES | 17:50
Comments:

26.9.03 Ramachandran:
"My current work is in behavioural neurology but most of my
earlier work in the last two decades was on human visual perception - especially
its biological basis. I also enjoy and study Indian art as a hobby. So it was quite
natural for me to become interested in artistic universals and the underlying neural
substrate. I became especially intrigued by the word rasa that appears in
ancient Indian (Sanskrit) art manuals. The word is hard to translate but roughly
means "Capturing the very essence of something in order to evoke a specific emotion
or mood in the viewer's brain". I realized that to understand the neural basis
of art one needs to understand rasa."

V.S. Ramachandran
Sharpening Up "The Science of Art"
An Interview with Anthony Freeman

Journal of Consciousness Studies, 8, No. 1, 2001, pp. 9-29
(disponível on-line)
posted by LAURO MARQUES | 16:56
Comments: Ramachandran: "Qualquer teoria da arte (ou, mesmo, qualquer aspecto da natureza humana) deve ter idealmente três componentes. (a) a lógica da arte: se existem regras ou princípios universais; (b) a razão evolutiva: por que essas regras evoluíram e por que elas têm a forma que elas têm; (c) qual o circuito cerebral envolvido" (Goguen, 1999: 15). GOGUEN, Joseph A. (ed.). "Art and the Brain". Journal of Consciousness Studies: controversies in science & the humanities. Vol. 6, No. 6-7, 1999.
posted by RONALDO BISPO | 07:53
Comments:

25.9.03 Revista Cult

já está nas bancas a Revista Cult edição nº 73, dossiê sobre Baudelaire. Nessa edição sairam 10 poemas do livro do qual estou publicando fragmentos, aqui no blog. Clique aqui para ir para Sumário e ler mais poemas desse livro inédito

Vale ler a revista, senão por minha causa, por Baudelaire. A edição está caprichada, é sempre bom ver a poesia nas capas das revistas.
Errata: o poema VII-SUS, saiu sem a última frase, então, reproduzo por inteiro a seguir:



VII-SUS

Dor implacável!
Junte-se a mim os fracos,
os que perderam a razão!
Anda! Levanta os braços! Caminha moirão!
Que sabe de ti, estúpido palhaço, incalculável fiasco,
rosna cachorro, com sofreguidão!
Vai-te! Come teu pão!
Que amanhã lhe falta...

E vê se não lhe engasga a emoção!




Em homenagem a Baudelaire, segue também abaixo um poema inspirado em Le Possédé (Clique aqui para ler o poema original de Baudelaire) .

VII- SONETO
(O POSSESSO)


Na noite em que eu insone,
anjo, quanto mais doce, infernal,
a ti, quando invoquei teu nome,
e vi surgir, do tédio, que é abissal,

ó musa dos enfermos, a inspiração
que emprestas às almas condenadas,
o vinho do esquecimento, o alcatrão
de tuas saias perfumadas,

incendiaram-me de vez as narinas.
E demônios como aves de rapina,
o meu peito vieram assaltar.

E noite adentro fui levado,
presa desse amor fanado,
Belzebuth a te adorar!



posted by LAURO MARQUES | 15:27
Comments: W.B. Yeats (1865 - 1939). The Wind Among the Reeds. 1899.
Tradução: Lauro Marques
36. Aedh wishes for the Cloths of Heaven



HAD I the heavens' embroidered cloths,
FOSSEM meus os tecidos celestes bordados,
Enwrought with golden and silver light,
Ornamentados de luz dourada e prateada
The blue and the dim and the dark cloths
Os azuis e negros e pálidos bordados
Of night and light and the half light,
De noite e luz e alvorada,
I would spread the cloths under your feet:
Eu os estenderia sob seus pés:
But I, being poor, have only my dreams;
Mas eu, pobre sendo, tenho meus sonhos apenas;
I have spread my dreams under your feet;
Eu os estendo sob seus pés;
Tread softly because you tread on my dreams.
Pise devagar pois você pisa sobre meus sonhos.




Leia também o poema Anatomia de um Clichê, de Michael Hartnett (1941-1999).

posted by LAURO MARQUES | 12:42
Comments:

24.9.03 O poema abaixo me foi enviado por minha irmã Maria Augusta Marques. Lembra W.B. Yeats "He Wishes for the cloths of Heaven', eu traduzi e vou por no blog quando tiver tempo.

From Anatomy of a Cliché
De Anatomia de um Clichê

3
3

Listen,
Ouça,

if I came to you, out of the wind
se eu viesse até você, saído do vento,
with only my blown dream clothing me,
vestindo somente meu sonho esvaído,
would you give me shelter?
você me daria abrigo?
For I have nothing
Ando sem eira nem beira
or nothing the world wants.
não tenho nada que o mundo queira.

I love you: that is all my fortune.
Amo você: minha fortuna é só essa.

...
...
...

But I know we cannot sail without nets:
Mas, sei, não podemos navegar sem redes:
I know you cannot be exposed
sei que você não pode se expor,
however soft the wind
por mais suave que seja o vento

or however small the rain.
ou por mais leve que seja a chuva.

O poema é de Michael Hartnett (1941-1999), poeta irlandês, autor de 12 livros de poesia em inglês, língua na qual deixou de escrever por dez anos (depois de "A Farewell to English", 1975), para produzir somente no idioma irlandês.

A tradução é de Marcelo Tápia (1954), poeta e editor, que publicou, entre outros, os livros de poemas "Primi Tipo" (ed. Massao Ohno) e "Pedra Volátil" (ed. Olavobrás).
posted by LAURO MARQUES | 17:36
Comments: Rapidinho, pois não tenho tempo para discussão, infelizmente, agora.
Se há uma coisa que Nitzsche NÃO FEZ foi postular "condições necessárias" para a consciência. (Clique aqui para ler o post anterior, ou role a página)
Nem tudo está sujeito à prova experimental. Não parece tão óbvio assim que "temos consciência de tudo aquilo que sentimos". Se temos consciência daquilo que sentimos, mas não podemos comunicar, não seria aí uma questão de primeiridade da Consciência, imediata, para Peirce?
(É sintomático que Peirce fale da consciência para a fenomenologia, que pode ser feita sem nenhum auxílio das ciências especiais.)
Também não parece óbvio que tenhamos uma noção clara do que seja consciência. Precisamos responder primeiro o que é a consciência? Antes de responder qual sua "função".
posted by LAURO MARQUES | 17:29
Comments: Resposta do Dr. Alfredo Pereira Jr. (Unesp - Marília)

-- O texto a seguir foi enviado em resposta à pergunta de Ronaldo Bispo na Lista de Discussão sobre Ciências Cognitivas (Leia também o post anterior)--

Caro Ronaldo e colegas da lista,

...Em "A Gaia Ciência" §354, Nietzsche sugere que ... "A consciência desenvolveu-se apenas sob a pressão da necessidade de comunicação". Oswaldo Giacóia Jr., por sua vez ... (escreve que) "consciência é, desse ponto de ista, necessariamente, falsificação do estritamente individual, porém indispensável para a vida em sociedade. Fazer dela o centro da subjetividade significa perder de vista qualquer possibilidade de acesso ao si mesmo".
RB: Confesso que me incomoda um pouco pensar apenas nessa função da consciência. Quer dizer então que o singular e único de um indivíduo é algo inconsciente? Será que não temos consciência daquilo que sentimos mas não somos capazes de comunicar? Damásio, por exemplo, sugere que a consciência nos deu acesso a imagens mentais não comunicáveis.

Alfredo - Pois é Ronaldo, muitos filósofos contribuíram para complicar o estudo da consciência, postulando a seu bel-prazer condições necessárias para a mesma. Já as sugestões feitas a partir da pesquisa científica têm o mérito de se basearem em evidências que podem ser discutidas e experimentalmente desconfirmadas. Obviamente temos consciência de tudo aquilo que sentimos, independentemente do processo de comunicação. O processo comunicativo trabalha a partir daquilo que as pessoas (ou animais) sentem ou pensam. Do mesmo modo a linguagem, para ser pública, precisa ter uma base nos cérebros e mentes individuais, pois a consideração do domínio coletivo não exclui o individual, como os sociólogos já perceberam há muito tempo.

RB: Que outras respostas podemos dar para que serve a consciência, qual sua função evolutiva?

Alfredo - Uma boa resposta aparece no artigo:
Cognition, Volume : 89, Issue : 3
Date : Oct-2003
Expertise and the evolution of consciousness
Matt J. Rossano, Department of Psychology, Southeastern Louisiana University, Hammond, LA70402, USA
Abstract
This paper argues that expertise can be used as an indicator of consciousness in humans and other animals. The argument is based on the following observations: (1) expertise and skill acquisition require deliberate practice; and (2) the characteristics of deliberate practice such as performance evaluation against a more proficient model, retention of voluntary control over actions, self-monitoring, goal-setting, error-detection and correction, and the construction of hierarchically organized retrieval structures are outside of the currently understood bounds of unconscious processing. Thus, to the extent that evidence of expertise exists in an organism, evidence of conscious experience is also present. Two important implications arise from this conclusion: (1) evidence of expertise can be used as the basis for cross-species comparisons of consciousness; and (2) the evolution of human consciousness can be assessed using fossil evidence of skilled behavior as a measure of consciousness. Author Keywords: Consciousness; Evolution; Expertise; Deliberate practice; Focused attention; Skill acquisition

Até +,

Alfredo
posted by RONALDO BISPO | 09:34
Comments:

23.9.03 Releio os dois últimos parágrafo da citação doGiacoia.

A consciência se desenvolve sob a pressão da necessidade de comunicação, motivo pelo qual está essencialmente vinculada à comunicabilidade, à sociedade e à linguagem. [...] A consciência é a qualidade daqueles processos psíquicos dos quais está ausente o estritamente singular, individual e único. Como os conceitos - as noções comuns que estão na base da atividade racional -, os fenômenos conscientes se estruturam em função da necessidade de comunicação, de modo que neles se expressa apenas o comunicável, que é produto da igualação do desigual, da supressão das diferenças, da abstração formada a partir do que é comum a muitos. Dito de outra maneira, consciência é, desse ponto de vista, necessariamente, falsificação do estritamente individual, porém indispensável para a vida em sociedade.

Você acha correto dizer que a consciência tem uma função? Ou seria ela uma qualidade, antes de ter uma função? O que N. e G. parecem estar dizendo é que a consciência desenvolve-se à medida que cresce a necessidade de comunicação. Acho muito interessante essa noção de consciência -- ligada à necessidade de comunicação -- como falsificação do individual. Ao mesmo tempo N. critica -- ele fala em outras passagens que a consciência é uma doença, um mal -- e vê nisso algo de útil e necessário. A exortação é para prestarmos mais atenção à sintomatologia -- semiótica -- do corpo.
A seguir volto a citar passagens do texto de Giacoia:

A tarefa interminável da sintomatologia de Nietzsche tem o propósito de em alargar o horizonte, os limiares de visibilidade e as margens de controle da consciência, de se embeber dessa sabedoria do corpo, desvendar os seus enigmas e interpretar os seus sinais.

Essa, porém, é uma tarefa infindável e

Em realidade, talvez o essencial desses processos todos escape à sua mais acurada inspeção - e tenha como destino ter que permanecer inconsciente. [...]
Para Nietzsche, no ponto mais avançado do desenvolvimento da consciência filosófica esclarecida, esta adquire a culminância do saber acerca de sua própria natureza confessando francamente sua ignorância inelutável. Ela se liberta do delírio infantil de omnipotência do pensamento, dissipando as trevas da superstição da velha 'alma', para conquistar com isso a plenitude de sua maturidade e autonomia, reconhecendo a necessidade de manter-se iludida quanto à sua própria natureza e poder.


E nesse ponto o alargamento da consciência é responsável por [?], ou faz-se juntamente com, a manutenção da cultura:

Essa dinâmica da ilusão revela a extraordinária força da consciência, no mesmo ato pelo qual esta confessa sua impotência estrutural. Trata-se de uma frágil e permanentemente ameaçada embarcação, que se mantém na superfície de um infinito e inóspito oceano, confiante em sua possibilidade de manter-se à tona. E, no entanto, é a essa formação psíquica vulnerável que se deve a epopéia titânica da cultura. Se, para Freud, o trabalho da cultura pode ser metaforicamente comparado com aquele que consiste em secar o mar para conquistar novas porções de terra,24 para Nietzsche a melhor alegoria da cultura é a dialética entre fragilidade e potência: "Cultura é apenas uma tênue pelinha de maçã sobre um caos incandescente." 25
posted by LAURO MARQUES | 09:56
Comments:

22.9.03 Ótima discussão do Giacóia. Não lembrava que Nietzsche discutia isso em "A Gaia Ciência". A exposição inicial sobre a consciência está de acordo com as leituras que venho fazendo em filosofia da mente e neurofisiologia. Sim, a consciência pode estar ausente e permanecem preservadas nossas funções mentais. Leibniz e Nietzsche exemplificam o que pode a filosofia, a despeito de todas minhas dúvidas quanto a sua utilidade. Intuições precisas que levam séculos para serem comprovadas cientificamente. Não estou certo, no entanto, de que a única função da consciência seja esse tornar comunicável, comum. Essa com certeza uma das suas funções. Damásio fala em algo diferente que não lembro agora. (Tema para futuro desenvolvimento ou questões teóricas pendentes: "para que serve a consciência, qual sua função evolutiva?". Criar um arquivo/pasta.) Só agora compreendo a crítica de Nietzsche à consciência. Relendo meu comentário que você publicou abaixo, vejo que Damásio fala de consciência para imagens não-comunicáveis. Quer dizer então que o singular e único de um indivíduo é algo inconsciente? Será que não temos consciência daquilo que sentimos mas não somos capazes de comunicar? O que seria da vida humana sem a consciência? Um macaco não tem uma consciência como a nossa e nem por isso deixa de se comunicar. Nossa comunicação é mais complexa? Muito interessante. Vou tentar ler o texto completo do Giacóia. O tema merece aprofundamento. Talvez lance a discussão na lista cognitiva. Essa mesma que deu notícia do artigo da scientific american. Um abraço, camarada Marques.
posted by RONALDO BISPO | 21:46
Comments: Novos Poemas

"--- Quem agora cem rimas não tiver,
Eu aposto, sim,
Estará perdido!"
(Nietzsche)





6


Aqui rolam-se
essas pedras
num passar de águas
claras.

Aqui pranto e
acalanto
se irmanam
em ribanceiras
rasas.

Para onde o refluxo
(quando acaba)
qual nascente
-----------hino,
sagra.
posted by LAURO MARQUES | 20:24

A MÁCULA é um jornal para os que não têm vergonha de si mesmos e amam a máscara.

Ameaçando a escuridão, música -demo version- do CD do MACACCO(mp3.zip)

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To-morrow for the young the poets exploding like bombs - W. H. Auden
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