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30.8.03 Canção Pirâmide Radiohead (Tradução Lauro Marques) O que eu vi quando mergulhei no lago? Anjos caolhos nadavam ao meu lado Uma lua estrelada e móveis astrais Todas as coisas que antes já via Todas as amantes que eu já conhecia Todo o meu futuro e passado E fomos pro céu num barco a remos Nada temíamos e a duvidar esquecemos (...) Leia a letra original posted by LAURO MARQUES | 14:07 Comments: Balada para um morto -Parte II -Lauro Marques VI Danças da carne, sangue. Cruéis como são todos os amantes. (Dar de comer ao fogo, "Oh, decrepitude sonhada!") As noivas distantes. Ouço chamá-las os homens. ("A eternidade alcançada") Fúrias são os lamentos das jovens. Gemidos tonitruantes. ("Tudo é perdido, "o próprio instante. "A infinitude encarnada!") Erguem-se as cruzes. "Imolação" Calma e volúpia. Erguem-se brados como animais selvagens. Luta, luta, luta Adoração. --- Mar, amplidão. Noite perdida. Ilusão. Alvorada de sangue, rasgando. Encardido silêncio. posted by LAURO MARQUES | 13:57 Comments: Cena 11 LAURO MARQUES O grupo catarinense de dança apresentou ontem seu novo espetáculo SKR-Procedimento 1, no instituto Itaú Cultural de SP. Trata-se de um projeto ainda em andamento, uma espécie de laboratório de testes que vem sendo realizado através da troca de informações com o público. Seguindo aqui o questionário que foi oferecido à platéia ao final da apresentação, eu vou me ater a comentar rapidamente apenas dois parâmetros: Corpo e Controle. Corpo. Há uma nítida tentativa de exploração dos limites do corpo. Torções, movimentos repetidos (de autômatos?), à exaustão, quedas e saltos, de peito, ou de bruços, sobre o chão. Os corpos contorcidos lembram quadros-vivos de Francis Bacon. Movimentos secos, e rápidos, marcados pelos estampidos, que fazem os corpos ao cair, e de uma trilha sonora eletrônica, cuja batida também é quebrada. Break dance. Em certos momentos um bailarino segura o outro numa posição estendida e outro diz "Solta!" E literalmente, despenca. Nem sempre o grito foi dito com convicção. Parecia, com ou sem intenção consciente, destinado a provocar pena. A exposição do nu em arte sempre me desconcerta um pouco. Não por moralismo ou qualquer outra coisa do gênero, mas porque impede o distanciamento. Na dança isso é impossível, pois os corpos estão ali para serem comidos pelos olhos. Mas a nudez no espetáculo é algo muito bem dosado. Apenas o suficiente para excitar o desejo, e servir - utilizando uma analogia que li em outro lugar - como uma tela, onde podemos ver depois a marca dos exercícios. As nádegas à mostra da bailarina Letícia Lamela antes brancas ficam vermelhas depois de uns tantos saltos em que se joga e é jogada sobre o palco. Controle. Alguém segura o corpo do outro e o impede de levantar. Corpos são oprimidos, esperneiam. O coreógrafo nega, mas as meninas parecem sofrer e "apanhar" mais durante o espetáculo. Ou pelo menos são mais passivas. O diretor artístico e coreógrafo Alejandro Ahmed dá uma explicação anatônica para isso, as mulheres têm corpos diferentes e portanto "caem" de forma diferente dos homens. E realmente, as "manobras" mais arriscadas são feitas por um homem: Anderson Gonçalves, que em mais de um momento efetua um salto para trás quase sem sair do chão, em que o corpo parece querer desafiar a lei da gravidade e da queda. A exposição ao risco é controlada, mas no palco mínimo, a sensação é de perigo. Às vezes essa sensação é interrompida pela exibição em tempo real das cenas, e a dança dos robôs com mini-câmeras filmando e dividindo o palco, cujo resultado nem sempre é bom. Ao meu ver, a exibição de imagens na tela é a parte menos interessante: alguns closes e olhares para câmera dão a impressão de algo já visto antes. Em suma, se pudéssemos resumir, a apresentação é pontuada aqui e acolá por alguns momentos cintilantes fugazes - como no exercício com barras metálicas, em que há sincronia entre os componentes, lembrando mais uma vez o tema do corpo/controle, figurado na lassidão erótica e violenta dos corpos deixados suspensos nas barras, e que vão deslizando aos poucos até tocarem novamente o chão. Leia a continuação desse post Notas: O grupo Cena 11 se apresenta de novo hoje, Sábado, 30, as 20h horas, e amanhã, Domingo, as 19h, no Itaú cultural. O que ler: O livro de Maíra Spanghero, A dança dos Encéfalos Acesos , lançado ontem à noite antes da apresentação, dentro do projeto Rumos Itaú Cultural Transmídia. posted by LAURO MARQUES | 12:08 Comments: 29.8.03 Anything Else Estreou filme novo de Woody Allen em Veneza, chamado Anything Else. Qualquer outra coisa que Allen fizer vale a pena assistir. Os críticos locais se esforçam para tentar acompanhar a "falta de criatividade" de Allen, mas quando sai a crítica aqui ele já está em outra. Hollywood Ending , que tem o título português Dirigindo no Escuro, está em cartaz, como de costume, com um ano de atraso, em São Paulo. É mais um pequeno filme - e viva os filmes pequenos, como lembra Godard, em Carmem - desse grande diretor. Allen é irônico, crítico, cínico e mordaz. E por isso mesmo é que é tão agradável de se ver. Suas obras têm aquilo que falta à maioria do cinema nacional, e não só nacional: ou seja, um roteiro. A sacada de um diretor de cinema que tem de finalizar uma produção, mesmo depois de ter ficado subitamente cego - entre aspas, pois não passa de uma neurose, mas que também pode ser uma crítica ao cinema atual - já vale o ingresso. (Do outro lado da ironia, trata-se também de uma metáfora de impossibilidade poética, quando lembramos do fotógrafo cego E. Bacar, e ficamos torcendo para que o filme que o personagem interpretado por Allen está rodando às escuras, dê certo). Ending também significa deixar Hollywood, e não é por acaso que seus trabalhos, ainda que muito bem produzidos pela produtora de S. Spielberg, sejam mais vistos fora dos EUA, do que no próprio país de origem, coisa que Allen não se cansa de repetir. É mais um ironia que se perde na tradução do título, que dá a impressão de alguém que não sabe para onde está indo, o que não deixa também de ter alguma verdade. posted by LAURO MARQUES | 13:39 Comments: 28.8.03 A tradução não funciona tão bem, como eu já esperava. O sistema tenta "traduzir" também as palavras escritas originalmente em inglês. o verbo Ser vira ploughs, por exemplo. Mas está tudo bem (it's all right). Essa vai para o camarada na Federação Russa que visitou o blog outro dia. (O que prova que a Teoria das Redes, segundo a qual cada um de nós está a somente seis apertos de mão de qualquer um dos 6 bilhões de habitantes da terra, está correta. Para efeito de comparação, no "mundo digital", uma página da WWW está somente a 19 cliques de qualquer outra. De acordo com o sociólogo Duncan Watts, em matéria do Mais! 17.08.2003, Folha de SP.) O Presidente Lula disse ontem, em Caracas, que nunca aceitou o rótulo de esquerda. E que quando lhe perguntaram pela primeira vez se ele era comunista, disse que era torneiro mecânico, sua profissão. Eu me lembrei de uma história verídica, contada em tom de piada, que eu li faz algum tempo na Seção de política, Painel, da Folha. A história aconteceu com o atualmente Deputado Federal Vicentinho. Durante a repressão política militar, Vicentinho ia ser preso e resolveu ligar para sua mãe, no Nordeste. "Mãe", dizia ele. "Avisa para os vizinhos que eu vou ser preso, mas que eu não fiz nada de errado, eu não sou ladrão. Eu estava apenas defendendo os direitos dos trabalhadores." No que a mãe de Vicentinho responde: "Não se preocupe meu filho, aqui todo mundo sabe que esse [Presidente] Figueiredo é um comunista!" posted by LAURO MARQUES | 13:38 Comments: 27.8.03 A "capa" do Blog, que fiz por brincadeira:capa2.JPG posted by LAURO MARQUES | 21:19 Comments: *Versão em inglês posted in the Original Web Page, do poema XI **Essa versão corrige e substitui the Google version in the Translated Page. Se você está lendo essa mensagem em inglês, então go back the Original Page para ler a versão correta! XI Weighed down the front As for a ray Illuminated the night RARE At the foot of the Mount. Poem nº 11 - Ballad for a Dead (Part III) [By Lauro Marques] posted by LAURO MARQUES | 19:58 Comments: 26.8.03 Cultura On-line Não entendo como um jornal tão moderno - em alguns aspectos, e nem sempre de modo positivo - como a Folha de São Paulo, pode ter seu conteúdo na rede fechado, apenas para assinantes. Tenho consciência que já fiz muita propaganda gratuita para o Estadão, apenas utilizando meu e-mail pessoal, que assim como o do blog, termina em estadao.com.br. (Apenas para lembrar, o site que você acessa nesse momento só é possível, graças à hospedagem do Blogger pela Globo.com.) Tornei-me um leitor assíduo do Jornal e quando não estou em São Paulo, longe do meu computador, vou à banca e compro, apenas por hábito. Além disso, utilizo o provedor de acesso gratuito. Antes eu era usuário do IG, mas além de ser ofendido por notícias sobre novela e outras banalidades, toda vez que fazia o logon, o serviço de e-mail ainda dava problemas, coisa que tem sido rara no Estadão, cujo portal de entrada é a Agência Estado de notícias. Também acho difícil de entender alguém pagar para ter acesso ao conteúdo do Uol, quando uma hora de acesso ao link que postei anteriormente, do poema de TS Eliot, Waste Land, vale tanto ou mais que a ida a muita biblioteca. O poema funciona como um verdadeiro portal de cultura, clicando nos links, você tem acesso a coisas como: os Contos de Canterbury, ou a Divina Comédia, na edição italiana ou traduzido para o inglês, ou toda obra de Shakespeare, ou o libreto de Tristão e Isolda de Wagner, ou uma excelente ferramenta de consultar a Bíblia, ou textos sobre botânica, Tarô, Arquitetura, História, Arte, livros clássicos, como a Eneida, de Virgílio, entre outros, e poemas, muitos poemas, de TS Eliot e diversas outras coisas, que levaria tempo demais para descrever, tudo ao alcance de um clique. A Internet é o mais próximo da "biblioteca em chamas", como pregava, em outro contexto, Pierre Boulez. Como nem tudo é perfeito, a conexão discada apresenta ainda desvantagens, e você tem que pagar os pulsos da linha telefônica no final do mês. Espero que o Estadão, ou outro provedor gratuito, ofereça no futuro uma conexão por cabo que não precise pagar pelo aluguel do modem, fato que até agora não me fez mudar para esse tipo de conexão. posted by LAURO MARQUES | 14:03 Comments: 24.8.03 Por falar em fetichismo da mercadoria, a Revista Inimigo rumor, que está no seu número14 , e tem sete anos de publicação contínua, traz questionário sobre o livro, como suporte material da poesia-literatura, a conferir. Uma olhada no site da revista não dá para saber se vale a pena desembolsar os R$ 25,00 da edição comemorativa dedicada ao poema em prosa. A revista, publicada em capa dura, é na verdade um grosso volume, e de "brinde" vem junto uma edição bilíngüe de "O gueto", uma reunião de poemas da argentina Tamara Kamenszain. A partir dos poemas publicados no site, uma conclusão porém é possível: do mesmo modo que não é a forma versificada que garante o que é poesia, ou boa poesia, pelo menos, o mesmo acontece em relação ao poema em prosa. A poesia está sempre "mais além". posted by LAURO MARQUES | 19:25 Comments: Arte X indústria. O curto artigo de Moacir Amâncio, hoje, no Caderno 2 do Estado de SP, Um escritor só não faz verão, apesar de confuso, levanta várias questões, e como era de se esperar, não resolve nenhuma. Mas não importa, são boas questões. No centro está a afirmação de que "Livros enfim são como discos, um suporte, nada mais, sem fetiche. Como papel de sabonete (sic)." Ainda que seja impossível separar o fetiche da mercadoria. Walter Benjamim dizia, acreditem em mim ou não, que livros são como prostitutas, você pode levar para cama, à hora que quiser. Leia uma Carta de Kafka a Max Brod, em que diz que irá destruir os romances que escreveu posted by LAURO MARQUES | 19:03 Comments: Fragmento de Quarta-feira de cinzas T.S. Eliot (Tradução de Lauro Marques) I (...) Porque sei que tempo é sempre tempo E lugar é só e eternamente lugar E o que é já é já só por um tempo E só por um lugar Eu me alegro que as coisas são como são e Eu renuncio ao rosto abençoado E renuncio à voz Porque não posso esperar retornar Consequentemente alegro-me, tendo de construir algo Sobre o qual me alegrar. poema inteiro outros poemas: Wasteland (hipertexto) ESSE é o melhor: Corram! antes que comece a cobrar (livros inteiros on-line): Great Books Index posted by LAURO MARQUES | 10:57 |
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