| A Mácula Humana Blog Natureza Humana+Arte+Estética+Poesia+Literatura+Comunicação+Filosofia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Notas & Esboços/Discussões/Criação Coletiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Editado por Lauro Marques© . Contatos: macula@estadao.com.br |
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30.8.03 Canção Pirâmide Radiohead (Tradução Lauro Marques) O que eu vi quando mergulhei no lago? Anjos caolhos nadavam ao meu lado Uma lua estrelada e móveis astrais Todas as coisas que antes já via Todas as amantes que eu já conhecia Todo o meu futuro e passado E fomos pro céu num barco a remos Nada temíamos e a duvidar esquecemos (...) Leia a letra original posted by LAURO MARQUES | 14:07 Comments: Balada para um morto -Parte II -Lauro Marques VI Danças da carne, sangue. Cruéis como são todos os amantes. (Dar de comer ao fogo, "Oh, decrepitude sonhada!") As noivas distantes. Ouço chamá-las os homens. ("A eternidade alcançada") Fúrias são os lamentos das jovens. Gemidos tonitruantes. ("Tudo é perdido, "o próprio instante. "A infinitude encarnada!") Erguem-se as cruzes. "Imolação" Calma e volúpia. Erguem-se brados como animais selvagens. Luta, luta, luta Adoração. --- Mar, amplidão. Noite perdida. Ilusão. Alvorada de sangue, rasgando. Encardido silêncio. Voltar para o Sumário posted by LAURO MARQUES | 13:57 Comments: Cena 11 O grupo catarinense de dança apresentou ontem seu novo espetáculo SKR-Procedimento 1, no instituto Itaú Cultural de SP. Trata-se de um projeto ainda em andamento, uma espécie de laboratório de testes que vem sendo realizado através da troca de informações com o público. Seguindo aqui o questionário que foi oferecido à platéia ao final da apresentação, eu vou me ater a comentar rapidamente apenas dois parâmetros: Corpo e Controle. Corpo. Há uma nítida tentativa de exploração dos limites do corpo. Torções, movimentos repetidos (de autômatos?), à exaustão, quedas e saltos, de peito, ou de bruços, sobre o chão. Os corpos contorcidos lembram quadros-vivos de Francis Bacon. Movimentos secos, e rápidos, marcados pelos estampidos, que fazem os corpos ao cair, e de uma trilha sonora eletrônica, cuja batida também é quebrada. Break dance. Em certos momentos um bailarino segura o outro numa posição estendida e outro diz "Solta!" E literalmente, despenca. Nem sempre o grito foi dito com convicção. Parecia, com ou sem intenção consciente, destinado a provocar pena. A exposição do nu em arte sempre me desconcerta um pouco. Não por moralismo ou qualquer outra coisa do gênero, mas porque impede o distanciamento. Na dança isso é impossível, pois os corpos estão ali para serem comidos pelos olhos. Mas a nudez no espetáculo é algo muito bem dosado. Apenas o suficiente para excitar o desejo, e servir - utilizando uma analogia que li em outro lugar - como uma tela, onde podemos ver depois a marca dos exercícios. As nádegas à mostra da bailarina Letícia Lamela antes brancas ficam vermelhas depois de uns tantos saltos em que se joga e é jogada sobre o palco. Controle. Alguém segura o corpo do outro e o impede de levantar. Corpos são oprimidos, esperneiam. O coreógrafo nega, mas as meninas parecem sofrer e "apanhar" mais durante o espetáculo. Ou pelo menos são mais passivas. O diretor artístico e coreógrafo Alejandro Ahmed dá uma explicação anatônica para isso, as mulheres têm corpos diferentes e portanto "caem" de forma diferente dos homens. E realmente, as "manobras" mais arriscadas são feitas por um homem: Anderson Gonçalves, que em mais de um momento efetua um salto para trás quase sem sair do chão, em que o corpo parece querer desafiar a lei da gravidade e da queda. A exposição ao risco é controlada, mas no palco mínimo, a sensação é de perigo. Às vezes essa sensação é interrompida pela exibição em tempo real das cenas, e a dança dos robôs com mini-câmeras filmando e dividindo o palco, cujo resultado nem sempre é bom. Ao meu ver, a exibição de imagens na tela é a parte menos interessante: alguns closes e olhares para câmera dão a impressão de algo já visto antes. Em suma, se pudéssemos resumir, a apresentação é pontuada aqui e acolá por alguns momentos cintilantes fugazes - como no exercício com barras metálicas, em que há sincronia entre os componentes, lembrando mais uma vez o tema do corpo/controle, figurado na lassidão erótica e violenta dos corpos deixados suspensos nas barras, e que vão deslizando aos poucos até tocarem novamente o chão. Leia a continuação desse post Notas: O grupo Cena 11 se apresenta de novo hoje, Sábado, 30, as 20h horas, e amanhã, Domingo, as 19h, no Itaú cultural. O que ler: O livro de Maíra Spanghero, A dança dos Encéfalos Acesos , lançado ontem à noite antes da apresentação, dentro do projeto Rumos Itaú Cultural Transmídia. posted by LAURO MARQUES | 12:08 Comments: 29.8.03 Anything Else Estreou filme novo de Woody Allen em Veneza, chamado Anything Else. Qualquer outra coisa que Allen fizer vale a pena assistir. Os críticos locais se esforçam para tentar acompanhar a "falta de criatividade" de Allen, mas quando sai a crítica aqui ele já está em outra. Hollywood Ending , que tem o título português Dirigindo no Escuro, está em cartaz, como de costume, com um ano de atraso, em São Paulo. É mais um pequeno filme - e viva os filmes pequenos, como lembra Godard, em Carmem - desse grande diretor. Allen é irônico, crítico, cínico e mordaz. E por isso mesmo é que é tão agradável de se ver. Suas obras têm aquilo que falta à maioria do cinema nacional, e não só nacional: ou seja, um roteiro. A sacada de um diretor de cinema que tem de finalizar uma produção, mesmo depois de ter ficado subitamente cego - entre aspas, pois não passa de uma neurose, mas que também pode ser uma crítica ao cinema atual - já vale o ingresso. (Do outro lado da ironia, trata-se também de uma metáfora de impossibilidade poética, quando lembramos do fotógrafo cego E. Bacar, e ficamos torcendo para que o filme que o personagem interpretado por Allen está rodando às escuras, dê certo). Ending também significa deixar Hollywood, e não é por acaso que seus trabalhos, ainda que muito bem produzidos pela produtora de S. Spielberg, sejam mais vistos fora dos EUA, do que no próprio país de origem, coisa que Allen não se cansa de repetir. É mais um ironia que se perde na tradução do título, que dá a impressão de alguém que não sabe para onde está indo, o que não deixa também de ter alguma verdade. posted by LAURO MARQUES | 13:39 Comments: 28.8.03 A tradução não funciona tão bem, como eu já esperava. O sistema tenta "traduzir" também as palavras escritas originalmente em inglês. o verbo Ser vira ploughs, por exemplo. Mas está tudo bem (it's all right). Essa vai para o camarada na Federação Russa que visitou o blog outro dia. (O que prova que a Teoria das Redes, segundo a qual cada um de nós está a somente seis apertos de mão de qualquer um dos 6 bilhões de habitantes da terra, está correta. Para efeito de comparação, no "mundo digital", uma página da WWW está somente a 19 cliques de qualquer outra. De acordo com o sociólogo Duncan Watts, em matéria do Mais! 17.08.2003, Folha de SP.) O Presidente Lula disse ontem, em Caracas, que nunca aceitou o rótulo de esquerda. E que quando lhe perguntaram pela primeira vez se ele era comunista, disse que era torneiro mecânico, sua profissão. Eu me lembrei de uma história verídica, contada em tom de piada, que eu li faz algum tempo na Seção de política, Painel, da Folha. A história aconteceu com o atualmente Deputado Federal Vicentinho. Durante a repressão política militar, Vicentinho ia ser preso e resolveu ligar para sua mãe, no Nordeste. "Mãe", dizia ele. "Avisa para os vizinhos que eu vou ser preso, mas que eu não fiz nada de errado, eu não sou ladrão. Eu estava apenas defendendo os direitos dos trabalhadores." No que a mãe de Vicentinho responde: "Não se preocupe meu filho, aqui todo mundo sabe que esse [Presidente] Figueiredo é um comunista!" posted by LAURO MARQUES | 13:38 Comments: 27.8.03 A "capa" do Blog, que fiz por brincadeira:capa2.JPG posted by LAURO MARQUES | 21:19 Comments: *Versão em inglês posted in the Original Web Page, do poema XI **Essa versão corrige e substitui the Google version in the Translated Page. Se você está lendo essa mensagem em inglês, então go back the Original Page para ler a versão correta! XI Weighed down the front As for a ray Illuminated the night RARE At the foot of the Mount. Poem nº 11 - Ballad for a Dead (Part III) [By Lauro Marques] posted by LAURO MARQUES | 19:58 Comments: 26.8.03 Cultura On-line Não entendo como um jornal tão moderno - em alguns aspectos, e nem sempre de modo positivo - como a Folha de São Paulo, pode ter seu conteúdo na rede fechado, apenas para assinantes. Tenho consciência que já fiz muita propaganda gratuita para o Estadão, apenas utilizando meu e-mail pessoal, que assim como o do blog, termina em estadao.com.br. (Apenas para lembrar, o site que você acessa nesse momento só é possível, graças à hospedagem do Blogger pela Globo.com.) Tornei-me um leitor assíduo do Jornal e quando não estou em São Paulo, longe do meu computador, vou à banca e compro, apenas por hábito. Além disso, utilizo o provedor de acesso gratuito. Antes eu era usuário do IG, mas além de ser ofendido por notícias sobre novela e outras banalidades, toda vez que fazia o logon, o serviço de e-mail ainda dava problemas, coisa que tem sido rara no Estadão, cujo portal de entrada é a Agência Estado de notícias. Também acho difícil de entender alguém pagar para ter acesso ao conteúdo do Uol, quando uma hora de acesso ao link que postei anteriormente, do poema de TS Eliot, Waste Land, vale tanto ou mais que a ida a muita biblioteca. O poema funciona como um verdadeiro portal de cultura, clicando nos links, você tem acesso a coisas como: os Contos de Canterbury, ou a Divina Comédia, na edição italiana ou traduzido para o inglês, ou toda obra de Shakespeare, ou o libreto de Tristão e Isolda de Wagner, ou uma excelente ferramenta de consultar a Bíblia, ou textos sobre botânica, Tarô, Arquitetura, História, Arte, livros clássicos, como a Eneida, de Virgílio, entre outros, e poemas, muitos poemas, de TS Eliot e diversas outras coisas, que levaria tempo demais para descrever, tudo ao alcance de um clique. A Internet é o mais próximo da "biblioteca em chamas", como pregava, em outro contexto, Pierre Boulez. Como nem tudo é perfeito, a conexão discada apresenta ainda desvantagens, e você tem que pagar os pulsos da linha telefônica no final do mês. Espero que o Estadão, ou outro provedor gratuito, ofereça no futuro uma conexão por cabo que não precise pagar pelo aluguel do modem, fato que até agora não me fez mudar para esse tipo de conexão. posted by LAURO MARQUES | 14:03 Comments: 24.8.03 Por falar em fetichismo da mercadoria, a Revista Inimigo rumor, que está no seu número14 , e tem sete anos de publicação contínua, traz questionário sobre o livro, como suporte material da poesia-literatura, a conferir. Uma olhada no site da revista não dá para saber se vale a pena desembolsar os R$ 25,00 da edição comemorativa dedicada ao poema em prosa. (De "brinde" vem junto uma edição bilíngüe de "O gueto", uma reunião de poemas da argentina Tamara Kamenszain). Uma conclusão porém é possível, a partir dos poemas publicados no site: do mesmo modo que não é a forma versificada que garante o que é poesia, ou boa poesia, pelo menos, o mesmo acontece em relação ao poema em prosa. A poesia está sempre "mais além". posted by LAURO MARQUES | 19:25 Comments: Arte X indústria. O curto artigo de Moacir Amâncio, hoje, no Caderno 2 do Estado de SP, Um escritor só não faz verão, apesar de confuso, levanta várias questões, e como era de se esperar, não resolve nenhuma. Mas não importa, são boas questões. No centro está a afirmação de que "Livros enfim são como discos, um suporte, nada mais, sem fetiche. Como papel de sabonete (sic)." Ainda que seja impossível separar o fetiche da mercadoria. Walter Benjamim dizia, acreditem em mim ou não, que livros são como prostitutas, você pode levar para cama, à hora que quiser. Leia uma Carta de Kafka a Max Brod, em que diz que irá destruir os romances que escreveu posted by LAURO MARQUES | 19:03 Comments: Fragmento de Quarta-feira de cinzas T.S. Eliot (Tradução de Lauro Marques) I (...) Porque sei que tempo é sempre tempo E lugar é só e eternamente lugar E o que é já é já só por um tempo E só por um lugar Eu me alegro que as coisas são como são e Eu renuncio ao rosto abençoado E renuncio à voz Porque não posso esperar retornar Consequentemente alegro-me, tendo de construir algo Sobre o qual me alegrar. poema inteiro outros poemas: Wasteland (hipertexto) ESSE é o melhor: Corram! antes que comece a cobrar (livros inteiros on-line): Great Books Index posted by LAURO MARQUES | 10:57 Comments: 23.8.03 Dos Jogos Minha aversão aos jogos: quando tornam o diálogo impossível. posted by LAURO MARQUES | 17:52 Comments: BALADA PARA UM MORTO & OUTROS POEMAS De Lauro Marques POST - SCRIPTUM Havia eu me perguntado se acaso existe caminho sem volta? Pois bem, tomei a direção errada. E o destino providenciou-me os espinhos. Ah, mas são frutos tão doces esses ainda em floração na primavera! E assim também o são no estio... E nessas noites maravilhosas! Em que a dor é infinita, como corpos se abrindo em direção ao espaço, livres de todo empecilho. Que esvoaçam antes mesmo de terem tempo de tocar o chão. Mortos em pleno vôo. Em ascensão. Que as flores floresçam! É obrigação da natureza arrancar-lhes à vida. Mas serão sempre essas raízes tuberosas... As mortas de solicitude. Ah, e em abundância! Contas de um terço estelar. Estrelas fúnebres da paixão. Irreconhecíveis em seu féretro moribundo. Essas vítimas assassinadas do amor. A falência de todas as horas. Esse inconstante cessar. As últimas a serem disciplinadas. Tormentosa sirene de corpos na escalada da noite! Vapores, suores, mendigas dores. A longeva certeza cravada no seio. Intacta. Alma mater amorosa. Senhora de todos os seres. A borboleta que pende do galho petrificada, em movimento etéreo. Que rumor dissolvido em silêncio! E a indiferença que tudo isso causa. Como cansam as contemplações! "Contemplar te é proibido!", assim falam os guardiões. Figuras patéticas alucinadas por um raio de luz, em seus claustros pálidos. Como tremem e arquejam por sentir. Ah, quando ultrapassadas as últimas alegrias, quando logradas as últimas solicitudes, o que sobra de nós nesse momento? São divagações tolas... Mas deixem-me agir! Aqui, o sacrifício ainda é recebido com homenagens. Pelo menos em reconhecimento ao esforço titânico. O tirano único que ousou conhecer! Quando irradiam as funestas luzes, no umbral da porta quantos se voltam? É injusto que clamem por ti? Ah, o notório esquecimento! Tantos tormentos irreconhecíveis. Como lavrar a alma do sofrimento? Tenebroso fim... Funéreas virtudes do por vir. A necessidade plena dos amores, vícios, solitudes, tristes amplitudes. Os canhões impotentes ainda regurgitam balas, de pólvora seca. A necessidade premente, as vantagens alucinatórias. Rompe-se o dique que estava seco de água. E por amor ao paradoxo, deságua. Perdição eterna! Vozes que se somam a outras menores. Calores terríveis. Distanciados dos tempos, os relógios param. E em marcha lenta tocam em surdina. À noite, removendo templos... Teria enfim, qualquer consequência? § Aí está, eu havia experimentado - E por minha culpa! Toda a volúpia de ser escravo: Compus uma balada de amor e morte. Arruinei-me. E não foi em vão! Oh, mas terá sido? Pois que é tão difícil a salvação?!? Não, arruinei-me. Transcrevo aqui apenas os meus últimos suspiros. Foi, querer ter sido, poeta! A ruína mais completa, maldição! Chorei lágrimas de sangue. Bebi a água na fonte. Queimei os santos no oratório. Fui recebido por Deus e de lá expulso. Fui ter com o diabo, esse miserável, estendeu-me a mão e eu - nojo! - beijei-lhe. Ah, mas todo pecado será perdoado, até mesmo o diabo ter me tentado foi em vão. É inútil, senhores, já vos digo. Fui de encontro a um redemoinho, desarmado. Ah, mas que farei então? Farei sentido? Duvido. Calar-me é impossível, pois uma estrada tem início no primeiro passo. Calo-me! E sou ouvido. Ah, homens, tenham pena de mim, pois que agora estou tranqüilo. Não, eu renuncio a qualquer gesto de dor, gemido, morrerei só. Para com o inferno a piedade! § Quanta distância já terei abraçado? Ah, quanto torpor... É inútil continuar sonhando (terei perdido o melhor?). Serei novamente gênio? Nas horas de semivigília, no acordar de tantas sendas... A razão obscena, decaída e devota. Os loucos dançando nus... O grande astro a iluminar os mares revoltos... É engano, pena. A que mais me condena o mundo? A trabalhos forçados, já entrevejo. Já que sou culpado, a cadeia! Já sinto sobre mim o peso do chicote! Ah, mas não sou fraco (nem tampouco sou forte), como todo mortal temo a morte, tremo todo. Para com o inferno a piedade! Não é uma cadeia esse mundo? Voltar para o Sumário posted by LAURO MARQUES | 13:34 Comments: Resistir às sereias Artigo de Jeanne-Marie G. na Revista Cult desse mês, diz que devemos resistir às sereias, como forma de nos tornarmos nós mesmos e sermos felizes. Ela oferece uma interpretação da interpretação de um episódio da Odisséia por Adorno. No final Ulisses só consegue falar das musas, porque soube resistir ao seu encanto. Melhor é a leitura de Márcio Seligmann na mesma Cult, de que não é mais possível manter-se na condição passiva, diante da arte. Mas por que ficar nas interpretações? Adorno explica: Desde o feliz e malogrado encontro de Ulisses com as Sereias, todas as canções ficaram afetadas, e a música ocidental inteira labora no contra-senso que representa o canto na civilização, mas que, ao mesmo tempo, constitui de novo a força motora de toda arte musical. Dialética do Esclarecimento, Zahar, 1995: 65. E Seligmann na mesma Cult aproveita para alfinetar Schiller, via adorno; "A arte é alegre?". posted by LAURO MARQUES | 13:08 Comments: 22.8.03 A Max Brod. Praga, fins de Dezembro de 1917. Querido Max. Aqui estão os manuscritos --- minhas únicas cópias --- para sua esposa. Não os mostre a ninguém. Por favor mande tirar cópias por minha conta do "O Passageiro da Caçamba" e do "Velho Manuscrito' e nos envie --- preciso delas para Kornfeld. Não estou incluindo os romances. Por que reavivar as velhas lutas? Só porque ainda não os queimei? (...).Na próxima vez em que eu o vir, espero que tenha sido feito. Qual o sentido de se resguardar trabalhos assim artisticamente tão ilegítimos? Por que se espera que esses fragmentos de alguma forma se combinam para formar o meu todo, alguma corte de apelação em cujo peito poderei atirar quando necessitado? Sei que não é possível, que daí não vem auxílio nenhum. Então o que devo fazer com essas coisas? Desde que elas não me possam ajudar vou deixá-las me prejudicar, em vista desse conhecimento? (...) É tarde demais, ainda preciso ir ao escritório. Escreverei a você de Zurau muito em breve. Franz. Cartas aos meus amigos, Nova Época Editorial, s/d. posted by LAURO MARQUES | 21:14 Comments: 21.8.03 Julien O. e a Auto-referência Remetente: "leoaldrovandi" Data: Qui, 21 de Agosto de 2003, 16:05 na verdade esta[va] falando da auto-referência, de autores bons mas que tentam imprimir sua presença na obra (Hirst, Susan...). Isso já cansou um pouco, a mim ao menos. Grato pelo link da Tate.. abs leo Não entendo como um artista não pode imprimir sua presença na obra. "Despersonalizar" já é outra coisa. É o que toda obra de arte deve TENTAR fazer, na minha opinião. E as imagens de ídolos pop são o quê? Que paisagens são essas? Não são da Parahyba, são? Grato pelos comentários. Apareça no blog. Apareça! (o diálogo continua nos comentários) posted by LAURO MARQUES | 22:10 Comments: Leonardo Aldrovandi enviou o seguinte comentário ao post da Tate Galery O mais comum nas obras britanicas é a tentativa de uma arte como produto da condição do proprio autor. Julien Opie supera isso... Leonardo Aldrovandi | 21-08-2003 10:16:03 Certo, mas o que é "superar a arte como produto da condição do proprio autor"? O que significa "superar" em arte? O texto abaixo é um fragmento do catálogo da Tate Galery Much of Opie's work of the late 1990s simulates the symbolic landscape of computer games and children's picture books, encouraging the viewer to journey into a simultaneously familiar yet alien world. A group of six screenprints made in 1998-9 (Tate P78310-5) comprises a range of signpost-like images depicting city, country, open road, cars and a pop star. Opie derives his images from his immediate personal experience but depersonalises them in order to offer the viewer a commodity, that of being able to make his or her own individual imaginative journey. This process of commodification is overtly referred to in Opie's most recent work in which both sculptures and prints have multiple versions and possibilities for combination. Links para as imagens: opie1.jpg opie2.jpg posted by LAURO MARQUES | 12:47 Comments: A Nova revolução será blogarizada Para quem ainda acha que blog é coisa de adolescente, sem nada na cabeça, sugiro dar uma olhada no link abaixo. Cheio de reações inteligentes e discussão viva. Pode servir de modelo para o que estamos pretendendo aqui. 2blowhards.com Site description In which two graying eternal amateurs discuss their passions, interests and obsessions, among them: movies, art, politics, evolutionary biology, taxes, writing, computers, these kids these days, and lousy Ivy educations posted by LAURO MARQUES | 12:15 Comments: 19.8.03 Bispo do Rosário: a confissão como arte Impossível a qualquer blogueiro do século XXI não se identificar com algumas obras de Bispo do Rosário. Estão ali a urgência em capturar o cotidiano, a necessidade de registro, o público imaginário (ou "virtual") e até mesmo os erros de português, freqüentes nesse tipo de comunicação, que se caracteriza pela sua imediatez e que pode muito bem vir a se configurar como uma forma de arte. É claro, desde que a confissão pessoal seja, como em Bispo, o ponto de partida para a transformação estética. De modo semelhante ao que fizeram Kafka, Musil, Ítalo Calvino, entre outros, em seus diários. posted by LAURO MARQUES | 20:32 Comments: Writes them poems and records his dreams of mermaids in notebooks bound for the furnaces Robert Desnos in Havana, 1928 Nicholas Christopher De Robert Desnos La voix de Robert Desnos Poemas e Biografia Online posted by LAURO MARQUES | 18:07 Comments: Traduções/ Aujourd'hui J'ai bu avec Breton ULI É certo que tu és um deus imenso Eu te vi com meus olhos como a nenhum outro Tu estás ainda coberto de terra e sangue tu acabas de criar Tu és um velho campesino que a tudo ignoras Recorda que comestes como um porco Bem vimos que te forrastes até às orelhas Tu nada mais compreendes Tua criação te disse mãos ao alto e tu ameaças ainda Tu metes medo tu te maravilhas MAIS QUE SUSPEITO Os carvalhos adoeceram de uma moléstia grave Eles secam após terem deixado escorrer Numa luminosidade crepuscular de esterco Toda uma multidão de generais decepados André Breton in Signe Ascendant Tradução Lauro Marques posted by LAURO MARQUES | 13:54 Comments: XI Pesada a fronte Como por um raio Iluminada a noite RARO. Ao pé do monte. Poema nº 11 de Balada Para um Morto (Parte III) [De Lauro Marques] Voltar para o Sumário posted by LAURO MARQUES | 12:47 Comments: 17.8.03 Da criação Anotações para dar continuidade à Balada para um Morto (livro poético "em progresso") Lembrar-se: 1. São as palavras que importam, não a expressão do Eu individual. 2. A pesquisa das palavras é o mais importante. 3. Ler poesia sempre. Principalmente aqueles que faltam ler ou ler mais Eliot, Artaud, etc. 4. Artigos científicos também ajudam. "a raridade dos raios ao pé dos Andes" é uma boa frase. Próximo poema: Relâmpago. 5. Por que importa a natureza? Os quatro elementos. Não perder de vista isso. 6. Manter o Eu sempre em suspenso. Entre aspas. Ou em itálico. 7. Narrar, abusar da terceira pessoa. 8. Quebrar frases. Expulsar o óbvio, o que rima fácil. 9. Não tentar ser lógico. 10. Contar uma história como se não tivesse entendido tudo (Borges). posted by LAURO MARQUES | 18:29 Comments: 15.8.03 O poder da música Nada mais exato do que um músico executando uma partitura. Nada mais arriscado. Imagine agora um músico sendo acompanhado por uma sequência de sons e ritmos disparados por um computador, às vezes em tempo real, como no caso da obra mista para flauta e eletrônica, Júpiter, de Philippe Manoury. Foi isso que se deu ontem na Aliança Francesa, durante o Ateliê-concerto do IRCAM em colaboração com músicos do grupo francês TM+, com obras para instrumentos acústicos, live electronics e performance sonora auxiliada por computador. No começo, meio anedótico, vemos o clarinetista entrando em cena arrastando, ou sendo arrastado por um fio, ligado às caixas de som amplificadas, e a um dispositivo de espacialização. Por um fio também fica a música quando uma das caixas pifa, e começa a produzir estrondos não programados. O clarinetista faz cara feia e espera que a mesa de som resolva "seu problema" (deles). E então recomeça. Aos poucos, a música de Boulez - - - e o músico - - - vai se impondo, e quando acaba, assim como a música, ficamos todos suspensos. posted by LAURO MARQUES | 12:51 Comments: "Poste-Escrito" (Millôr) Esqueci de acrescentar à minha pequena lista das imperfeições exatas, metaforicamente falando, sempre metaforicamente falando, Bacon. Sobretudo, Bacon. posted by LAURO MARQUES | 12:50 Comments: 13.8.03 Exatidão A idéia que o artista produz signos exatos é muito sedutora. O que se pretende por "exatos" deve incluir, paradoxalmente, a imperfeição --- Manet, algumas esculturas de Rodin , etc, etc. O que dá margem para se pensar numa "ética da estética", como propõe Galard. posted by LAURO MARQUES | 19:55 Comments: Arte e conduta Aprender a produzir signos exatos; saber medir os signos que sempre se emitem: pode-se conceber uma ética que consistiria num bom uso dos signos e que aproveitaria a experiência adquirida nesse sentido pela atividade artística. Jean Galard, A Beleza do gesto, Edusp, 1997. posted by LAURO MARQUES | 12:15 Comments: Arte e conduta Tratar a conduta como uma arte. Postular que ela pode, como o teatro ou a música, desprender-se dos ideais estreitos, das estéticas correntes. (...) a possibilidade de provocar, no próprio curso da vida, a consistência formal ou a intensidade emocional, próprias da experiência artística. Jean Galard, A Beleza do gesto, Edusp, 1997. posted by LAURO MARQUES | 12:14 Comments: 12.8.03 Como devemos viver? Como devemos viver? A resposta de Peirce encontra-se na sua análise da possibilidade da conduta controlada por uma inteligência capaz de aprender através da experiência (Sheriff 1994: xvi) posted by LAURO MARQUES | 10:48 Comments: XIII-O CAMPO DE BATALHA (*) Falsificada, A verdade esmagada ressurgirá do pó em que foi lançada - Junto com o tempo - e essas palavras - Insones. Voltar para o Sumário posted by LAURO MARQUES | 10:27 Comments: Consistência Eu queria chamar a atenção para a palavra "consistência", no fragmento já postado anteriormente, "Diálogos" Pinker-Peirce (II): the identity of a man consists in the consistency of what he does and thinks, and consistency is the intellectual character of a thing; that is, is its expressing something. . posted by LAURO MARQUES | 10:23 Comments: 11.8.03 Como compactuar liberdade e auto-controle? 3 Vejo uma dificuldade no projeto comunicacional dos bons modos de Peirce. Lembra a apenas ouvida teoria do agir comunicativo de Habermas. A esperança de que as coisas entre os homens se resolvam pelo diálogo, que seja possível controlar as consequências de nossos atos de fala. É so ver no que deu a empresa de Diotima em O Homem sem Qualidades. Estar de acordo sobre o que quer que seja é um ato de boa vontade. Amigos alcançam isso com frequência: quando estão calmos e tolerantes. posted by RONALDO BISPO | 21:27 Comments: Como compactuar liberdade e auto-controle? 2 Às vezes basta um "bom dia" recíproco para despertar uma pequena alegria, a sensação de que se está vivo e de que alguma comunicação entre os seres humanos é possível. Estar de acordo sobre algo, perceber uma interação feliz, aparentemente por consenso semântico. Viver sem falar com ninguém ou falar com alguém e ser mal interpretado é extremamente frustrante. Coincidências, semelhanças, comunhão, partilha, simpatia. Das Idéias Exemplares posted by RONALDO BISPO | 21:14 Comments: Mais sobre a Tate Galery A série de fotografias da Tate Galery, da década de 90 [?], em exposição na OCA, em que há absorção mental e alheamento dos personagens, retratados em cenas familiares, dialoga com a pintura de Manet, onde é possível constatar o mesmo clima psicológico (Cf. A Pintura como Arte). Manet Na Estufa Manet Almoço no Ateliê Manet-parents.jpg Sarah Jones Sitting Room e outros Sarah Jones Dinning Room posted by LAURO MARQUES | 17:35 Comments: Como compactuar liberdade e auto-controle? Evil communications corrupt good manners. (CP 5.138) Presuming that signs are events (or instruments) of communication, we can translate his proverb thus: all signs have effects, make sure that they are not corrupting ones. (...) What follows for "good signs"? - that they be logically sound, certainly, but that their enunciation have consequences and that these consequences be desirable. This cannot be assessed without assessing their action in relation with their aim (...) The proverb Peirce cites suggests that this aim must be the maintenance and furtherance of "good manners", but what are the "good manners" that would be corrupted by bad communications? Hume could tell us. The good commerce, the joining, of the sociable and the learned worlds. (...) Peirce would add his gloss: that the conversations of men should further the aims of inquiry, that they should seek truth. Freadman (signs II) in Digital Encyclopedia of CSP. posted by LAURO MARQUES | 13:27 Comments: Considerações Extemporanêas Para que serve a arte? Essa é a pergunta ingênua que o pragmatista não faz mais. A questão, para o pragmatista, de acordo com a máxima que lhe é mais cara, passa a ser: quais são as reais consequências do signo artístico? Cf. post do Bispo- A Pergunta Interminável posted by LAURO MARQUES | 13:22 Comments: A pergunta interminável A exposição do acervo da Tate Gallery no Brasil remete à pergunta: o que é arte? Isso é algo interminável. Agora podemos perguntar: o que fazemos com arte? Para além de saber o que ou quem determina a pertinência e importância de uma obra, importa pensar o efeito que a exposição às obras pode causar no fruidor. Essa não é a preocupação principal do artista ou criador. O criador cria porque é motivado a isso. Mas e o que leva um fruidor às salas de um Museu? Qual o valor de ver as obras em tamanho e forma originais? E o prazer estético? De onde vem? posted by RONALDO BISPO | 07:41 Comments: 10.8.03 Sistema Aberto A idéia agora é transformar o blog numa espécie de "revista" virtual editada por mim e aberta à participação da equipe convidada. posted by LAURO MARQUES | 06:32 Comments: 8.8.03 A obra-prima ignorada O que é a arte pop. John Hoyland na parede de um banheiro de um bar na Paulista. Azul sobre azul. E branco, respingado de azul. John Hoyland 2 posted by LAURO MARQUES | 22:04 Comments: 7.8.03 Sinfilosofar= filosofar em conjunto, simpática ou sinfonicamente. Prática inventada por Chilêgüél e adotada pelos primeiros românticos alemães, Novalis, entre outros. Fragmentos III 318. Como fragmento o imperfeito aparece ainda do modo mais suportável --- e portanto essa forma de comunicação é recomendável para aquele que ainda não está pronto no todo --- e no entanto tem alguns pontos de vista notáveis para dar. Novalis (morto no dia 25 de março de 1801, aos 29 anos de idade.) Penso que o Blog pode ser o ambiente ideal para se pensar em fragmentos. Let's wait and see. posted by LAURO MARQUES | 11:28 Comments: Obrigado pelo cruzamento. Mato no peito e chuto: "Se você sentir necessidade, desejo, vontade de dizer algo para uma audiência qualquer e não tiver a oportunidade, em vez de calar, escreva. Sobretudo se a vontade não passar. E tente publicar. Você poderá não ser ouvido por quem gostaria, mas certamente se sentirá mais leve e possivelmente alcançara um público maior". Das Idéias Exemplares. posted by RONALDO BISPO | 09:34 Comments: 6.8.03 Comunicação - Schelegel (proun. chilêgüel) [98] Estas são as leis fundamentais universalmente válidas da comunicação escrita: 1) é preciso ter algo que deva ser comunicado; 2) é preciso ter alguém a quem se possa querer comunicá-lo; 3) é preciso poder comunicá-lo efetivamente, partilhá-lo com alguém, não apenas se exteriorizar sozinho; senão seria mais acertado calar. posted by LAURO MARQUES | 18:29 Comments: Música Moderna "(...) era como a musica moderna, na sua opinião, totalmente insatisfatória mas cheia de uma excitante novidade" --- Musil (Diotima, sobre Ulrich), em O homem sem qualidades posted by LAURO MARQUES | 18:13 Comments: Parece-me ser, cada vez mais, uma tentativa de circular através do caos. Não uma vontade de aceitar o caos, mas um procurar perceber e circular sem ser esmagado pelo caos. O que caracteriza a minha deslocação no mundo é essa tentativa de ir de um ponto a outro pelo meio de uma quantidade de máquinas e de seres que se agitam descontroladamente e num sentido que muitas vezes nos escapa. Como define a sua pintura? Júlio Pomar - pintor e escritor Arquivo Camões posted by LAURO MARQUES | 18:05 Comments: Leio em A pintura como arte, Richard Wollheim,Cosac & Naif, 2002: ...Se o artista se preocupa com a maneira como o espectador verá seu quadro,... o pensamento não é categórico, é hipotético. É do tipo "Se houver um espectador, que ele tenha tal e tal experiência".Em outras palavras, o pensamento não pressupõe a existência de um espectador e também não inclui necessariamente o desejo de que haja algum espectador. Por isso, é errado considerar a pintura, ou, pelo menos, a arte da pintura, como uma forma inerente de comunicação. A comunicação se dirige... a um público identificável, como acontece quando um orador responde à pergunta de outro... .Ou então, a comunicação é emprendida na esperança de que de um público se materialize, como acontece qdo um sinaleiro de um navio naufragado acena uma bandeira de perigo. posted by LAURO MARQUES | 13:59 Comments: 5.8.03 uma tese interessante ou propaganda de óleo de peixe? did schizophrenia make us sapient? The human stain The Madness of Adam and Eve by David Horrobin asks the question: did schizophrenia make us sapient? By John McCrone John McCrone Guardian Saturday April 28, 2001 posted by LAURO MARQUES | 13:31 Comments: 2.8.03 Boas idéias valem por si mesmas. Não representam algo com que se possa fazer qualquer coisa de prático, mas são modos de agradar o espírito. Idéias podem ser tão agradáveis quanto músicas. Idéias embelezam nossas mentes. posted by RONALDO BISPO | 10:34 |
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