| A Mácula REVISTA ELETRÔNICA, JORNAL DE BORDO E POESIAS DE LAURO MARQUES© macula@estadao.com.br........................................Arte+Estética+Poesia+Literatura+Comunicação+Filosofia. |
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9.6.05 Música e Textos de Leonardo Aldrovandi ![]() Pianista e compositor clássico, autor de uma tese "A idéia de Espaço na comunicação sonora: a composição musical recente", Pucsp, (2004), inaugura sua home-page MADEIRA DE DORMENTE , com extratos verbais e musicais de altíssima qualidade, tais como o de sua pesquisa sobre "a questão da velocidade em sensações sonoras". Vale a pena visitar. Um trecho dá uma amostra dessa "Gaia Ciência": Compor aqui não é só ter idéias sonoras representáveis, é também algo como estar na frente de uma classe de mais de quarenta crianças. Instrumentos-crianças. Individualmente, podemos pensá-los como um que olha para o nada, um que grita com o outro e esquece, um que é mais controlável, mas com um potencial e um universo interior maravilhoso, desconhecido ou apenas recoberto, e assim por diante. Cada momento respeita uma potência de vida que excede nossas formalizações, as quais, por sua vez, não deixam de vingar de volta. Coletivamente, podemos comparar uma criançada com o grau de controle aqui proposto: comportamentos incitados como risada, diálogo, fala, gestos, manifestações em cadeia ou isoladas, pequenas e muitas trocas, mesmo aquelas escondidas do professor. posted by LAURO MARQUES | 12:03 Comments: 2.6.05 HENRY MOORE'S SONG la nariz que se encandila. Não, meu rapaz. Se há alguma coisa que faz sentido é a arte. O resto, ciência, religião... eu falei RELIGIÃO? Are you kidding me? Se isso faz algum sentido, faz muito, mas MUITO menos. Sartre não precisava ter enchido tanto o saco para chegar à mesma conclusão em A náusea. E a arte que não contém NENHUM traço de realidade é vazia, ELA É MORTA. Estou embriagado pois acabo de chegar de uma exposição de Henry Moore. O artista NÃO PRECISA DE RELIGIÃO. A (grande) arte diz que a vida tem sentido. Isso basta à (qualquer) religião. O artista FUNDA sua própria religião. Ele não a NEGA. A beleza que é uma escultura de um rei e uma rainha, a olhar um vasto campo desde a Escócia, mirando a Inglaterra. Ou a escultura que se chama "Sheep" (carneiros) e ver os carneirinhos pastando embaixo. Estou falando de um filme passado na exposição, as esculturas ao ar-livre, no seu lugar natural.
posted by LAURO MARQUES | 19:59 Comments: 31.5.05 A DÚVIDA Lauro Marques Com que tinta escreverei agora ..........que o tinteiro esvaziou? Com a tinta da dúvida...........que ..........essa não seca nunca! posted by LAURO MARQUES | 14:57 Comments: 29.5.05 POESIA EM CD - Direto de Natal-RN *COM LINKS PARA O DOWNLOAD EM MP3.ZIP O artista multimídia natalense Alexandre Gurgel, pintor, fotógrafo, film-maker e dentista, nas horas vagas, lança cd de música eletrônica, com letra de poesia do livro em progresso "Em certezas", de Lauro Marques. ![]() Download mp3.zip demo version: *obs. é necessário ter o programa winzip instalado e o Windows Media Player ou outro player de MP3. O endereço para baixar de graça o winzip é http://www.winzip.com/ [Escute a música 'Ameaçando a escuridão', interpretada por Itérbio. PLAY IT LOUD!] Read the lyric: [Leia a letra da música] Contact e-mail for the entire cd: O email de contato para divulgação e para receber o CD Histórias e canções de ninar, do autor Macacco é: contatomacacco@yahoo.com.br HISTÓRIAS E CANÇÕES - O EX "DJ" MACACCO REJEITA O RÓTULO, LANÇA DISCO E TENTA FORJAR UMA CENA ELETRÔNICA NA CIDADE DE NATAL/RN. Por: Marcus Vinícius - Jornalista. Já está virando clichê andar por aí perguntando se DJ é músico. A discussão invadiu bares, grupos da Internet e até mesmo os círculos acadêmicos. Afinal, que música é essa que, distante do virtuosismo, toma de assalto mentes e corpos instigados mundo afora? Nesse novo mosaico musical, as cartas estão bastante embaralhadas. O processo criativo assume dimensões anárquicas e a tecnologia põe abaixo a definição do que é a própria música, que jamais fica estanque, inerte ou alheia aos novos paradigmas com os quais se defronta, para horror dos puristas. E que ninguém procure respostas para essas questões na ótica da arcaica e desnecessária Ordem dos Músicos, que simplesmente não consegue classificar esse tipo de gênero musical, preferindo simplesmente excluir os seus adeptos, por não saberem tocar baião, polca ou fox-trot. Portanto, esqueçam a linearidade das composições e as letras articuladas, ou "politizadas", com uma mensagem clara e se virem para encontrar algum sentido nisso tudo. Enquanto isso, vão dançando e se divertindo com essas estranhas colagens sonoras. Um bom começo é ouvir as Canções e Histórias de Ninar, disco recém-lançado de Alexandre Gurgel, o Macacco, egresso da chamada "geração El Chaco", o celebrado bar que movimentou a cena underground da cidade, há mais de uma década. Desde 2001, quando ele ganhou um toca-disco da sogra, resolveu transformar-se no DJ Macacco e tornou-se dono de uma invejável coleção de discos de vinil. Agora ele rejeita o rótulo, quer ser simplesmente "Macacco", seguindo uma tendência. Com isso, parece querer provar que qualquer um pode ser DJ, incluindo um macaco, ou seja, que descartar essas duas letras maiúsculas não acarreta nenhuma perda substancial. Ainda mais em Natal, onde inúmeros outros símios pousam de "superstar das pick-ups". E assim reafirma que o verdadeiro artista é o Macacco. O disco nasceu polêmico por natureza. "Você gostou do disco do Macacco?" --- a grande maioria que ouvir provavelmente estranhará. Uma minoria encontrará algo de vanguarda ali. E outros, no meio do caminho, não saberão responder. Os curiosos, em geral, tentarão decifrar o enigma da esfinge musical. Do caldo grosso se extraem doses de experimentalismo, poesia concreta, fragmentos sonoros da cultura pop subtraídos da iconografia que Andy Warhol exaltou, trechos de trilhas para cinema, diálogos de filmes, além da junção do eletrônico com o acústico. A tentativa do Maccaco é de se mostrar eclético, chamando diferentes tribos urbanas para uma grande festa que acaba não se concretizando, pois o trabalho é mesmo hermético. O esforço é de uni-los todos, talvez na única coisa comum a todo mundo: a elogiada loucura de cada um. E numa coisa ele acerta: a cena musical natalense atravessa um ótimo momento e está cada vez mais diversificada. É necessária também alguma ironia refinada para o ouvinte, dada a veia cômica quase inglesa que permeia algumas sacadas do disco. E assim, ele segue com suas macacadas, macaqueando e sampleando todo mundo, inclusive ele mesmo. Detalhe: as idéias e conceitos das faixas surgiram num estágio de semi-sonambulismo. Recortes que surgiam no meio da noite iam sendo registrados num radiogravador, durante o chamado estágio alfa, uma fase de semi-consciência situada entre o sono e a vigília. No final, tudo isso resultou numa viagem coletiva, unindo a poesia de Lauro Maia e Carlos Gurgel às vozes de Itérbio Moura e Simona Talma, a primeira gutural e a outra meio infantil (no timbre). A parceria com Gabriel Souto na programação eletrônica foi fundamental para a formatação das faixas. Operando sua groove box, Gabriel, que integra também o time do Dusouto, substitui um naipe inteiro de músicos que não fazem falta, porque o que interessa ali é o gosto musical. O ápice da psicodelia acontece em 'Ameaçando a Escuridão' (Alexandre Gurgel/Lauro Maia), numa interpretação sussurrada do vocalista Itérbio, forjando um amálgama denso e dançante. A música ganha uma versão ainda mais sombria no final do disco, com interpretação de Carlos Gurgel. Já em "Nem os Cachorros Comeram", se mostra um retrato do cotidiano ansioso da vida urbana de uma família que ouve música e assiste à TV em ritmo frenético de troca de canais. "Constantine' traz um diálogo ácido em inglês (coletado do filme Coração Satânico) desconstruindo a religião, confrontado com um coro ao fundo cantando música gospel. Em faixas como Radio Red, os versos lembram as ousadias estéticas dos experimentais pioneiros como Tom Zé ou Walter Franco: "Às vezes eu penso que a cabeça é um rádio que alimenta o rádio de outras pessoas". Ou seja, o alimento está posto à mesa para quem quiser se servir. A música eletrônica já foi definida como um monólogo articulado, uma experiência sensorial. Tome parte nesse transe e se deixe embalar por essas histórias e canções para ninar gente grande. posted by LAURO MARQUES | 15:56 Comments: 26.5.05 Upgrade do Macaco ainda não entendi/digeri direito mas aí vaí o link para o site oficial do coletivo de arte upgrade do macaco. Trecho do manifesto (talvez um pouco apocalíptico demais, mas é a RAIVA que conta): Um manifesto da era digital dividido em partes fractais narrando de forma não-linear fragmentos de momentos da historia humana, não se trata de documentários nem análises claras, trata-se de sentimento puro. Raiva, angustia, temor (e tremor), solidão, amor, desespero CHACINA, MALÁRIA, DESILUSÃO e outras ações ligadas a sensações extremas. Uma forma irregular e medíocre de mostrar UM MUNDO TECNOLÓGICO E SUPERCONTROLADO na sua própria natureza viral, um amontoado de montagens fractais de um universo solipsista A APOTEOSE DA CARAPAÇA APODRECIDA DE WILHELM REICH. O mundo do eu sucumbe com a colisão de outros mundos, outras experiências relativas a paradoxos de vida comum, a violência humana. A tentativa aqui é mostrar de uma maneira visceral (e cada peça desse jogo a seu modo), uma realidade crua do mundo UMA CARNIFICINA TRANSFÓBICA ONDE NINGUÉM ESTÁ EM SEGURANÇA. Onde há fantasia há máscaras MASCARADO O HOMEM ENFURECE-SE E PROTEGE-SE NO ANONIMATO, de uma realidade maior, de uma realidade onde morfina dificilmente amorteceria dores familiares, dores de amantes, dores de abandonos, de todos os tipos DORES MUITAS DORES, na guerra, no cotidiano urbano de uma metrópole, numa região remota. *** XII (A cerimônia das luzes, corpos em profusão ao som da sinfonia dos ruídos indizíveis ―AO SOL. Comunico-lhes o terror ―O PÂNICO Deuses imaculados sobre a mesa A muralha dos tempos perdidos... Ergo a minha cabeça e assisto A CARNIFICINA). poema nº 12 de Balada para um Morto (#1), de LAURO MARQUES posted by LAURO MARQUES | 16:17 Comments: 23.5.05 UMA NAÇÃO DE TELETUBBIES Lauro Marques No Brasil todo, há apenas 1.500 livrarias. Ridículo e vergonhoso para um país de dimensões continentais como o nosso. Mas há dados mais alarmantes ainda. A maioria dos municípios (89%) não possui NENHUMA livraria. 59% dos exemplares vendidos são didáticos, isto é, a pessoa compra porque é obrigada. 61% dos adultos alfabetizados estão afastados dos livros e 73% dos livros nas mãos de 16% da população. (Os dados são da matéria de Sérgio Augusto, do Estadão, 22/05/05, sobre a assim chamada 12ª "Bienal do Livro", no Rio, que terminou no último domingo). Com isso forja-se uma nação ávida por programas de televisão, da pior qualidade, que atingem índices elevadíssimos de audiência. E recordes no Orkut e de navegação na Internet maiores até do que no Japão e E.U.A., É certo que os livros são caros, e qualquer projeto sério para cultura nesse país deveria passar por uma redução nos preços para o consumidor. Ou mesmo a digitalização e disponibilização dos livros através da Internet, aproveitando a propensão brasileira para esse meio, apesar da percentagem da população com acesso a isso também ser ainda muito pequena. É uma saída, que não depende só do Estado. Hoje é possível encontrar milhares de sítios com poesias em língua inglesa, por exemplo. Uma "antologia" de poemas em inglês de Ezra Pound, disponível em arquivo PDF na rede, e já divulgada aqui no blog não sairia por menos de uns 12 a 20 USD ou R$ 30 a R$ 50,00 se fosse "vendida" no Brasil. posted by LAURO MARQUES | 18:20 Comments: 21.5.05 O SOBRADO Ezra Pound [Tradução Lauro J.M. Marques] Vem, apiedemo-nos daqueles que estão melhor que nós. Vem, amiga minha, e recorda .......que os ricos têm mordomos e não amigos, E nós temos amigos e não mordomos. Vem, apiedemo-nos de casados e solteiros. A aurora entra com seus pezinhos .......como uma dourada Pavlova E estou próximo ao meu desejo. Não há coisa melhor no mundo Que essa hora de claro frescor .......a hora de despertarmos juntos. Leia mais poemas traduzidos de Ezra Pound na revista de poesia A máquina do mundo nº2 posted by LAURO MARQUES | 16:16 Comments: 19.5.05 INSTRUÇÕES POSTERIORES Ezra Pound [Tradução Lauro J.M. Marques] Venham, minhas canções, vamos expressar nossas [paixões mais básicas. Vamos expressar nossa inveja do homem com um [trabalho regular e nenhuma preocupação com o futuro. Vocês são muito vãs, minhas canções. Receio que terão um péssimo fim. Vocês vagabundeiam pelas ruas, Vocês demoram-se [nas esquinas e paradas de ônibus, Vocês não fazem quase nada. Vocês sequer expressam nossas grandezas mais [íntimas, Vocês terão um péssimo fim. E eu? Eu acabei um pouco alucinado. Eu falei tanto com vocês, que as vejo quase à minha volta, Insolentes animaizinhos! Libertinas! Desnudadas! Mas vocês, canções mais recentes do lote, Vocês não são velhas o suficiente para terem causado [muita injúria. Eu trarei para vocês um casaco verde da China Com dragões nele bordados. Eu trarei para vocês as calças de seda escarlate Da imagem do menino Jesus em Santa Maria Novella; Para que não digam que nos falta o gosto, Ou que não há ninguém casto nessa família. Copyright © 2003 do texto original Online, Ian Lancashire for the Department of English, University of Toronto. Publicado por the Web Development Group, Information Technology Services, University of Toronto Libraries. http://eir.library.utoronto.ca/rpo/display/poem1654.html Texto original : "Poems," Poetry: A Magazine of Verse 3.2 (Nov. 1913): . Ezra Pound, Lustra (London: Elkin Mathews, 1916) 25. PS 3531 O82L8 1916 Robarts Library. First publication date: 1913 Outros poemas de Ezra Loomis Pound FREE E-BOOK! 80 poemas de Ezra Pound (site poesia em inglês com maior variedade: Poemhunter) posted by LAURO MARQUES | 18:20 Comments: UM SEMICEGO La nariz que carcajeia "Um semicego" era um dos apelidos semióticos de Nietzsche. Os outros eram cegos. posted by LAURO MARQUES | 11:05 Comments: 16.5.05 VIVACIDADE DOS SENTIMENTOS Lauro Marques Uma palavra sobre a vivacidade dos sentimentos. A intensidade da vivacidade é o que difere uma sensação de uma imaginação. Nenhum ato da imaginação alcança o grau de vivacidade de uma sensação atual. No entanto, na rememoração ou lembrança, sentimentos podem ser experienciados de forma subjetivamente mais intensa que outros, a intensidade é dita subjetiva. Por exemplo, "é possível para uma pessoa ao mesmo tempo recordar o barulho de um relógio e o barulho de um canhão nas proximidades, e ter uma consciência mais vívida do primeiro que do último, sem, contudo, recordar o último como um som mais fraco do que o primeiro" (CP 7.55). Isto é, o som mantém sua intensidade objetiva, mas perde em intensidade subjetiva. O que abre espaço para seguinte reflexão: os sentimentos que experienciamos em uma obra de arte podem ser rememorados e sentidos de forma subjetivamente intensa e continuar agindo sobre nós, muito tempo depois de as termos visto, escutado, tocado ou lido. Poetas sabem disso e constroem seus poemas para não esquecerem o que sentiram. Bashô escreveu um Haicai que é uma espécie de lembrete endereçado ao futuro: Nunca esqueça O gosto amargo Do orvalho branco E séculos depois, continuamos sentindo o gosto amargo/solitário do orvalho branco de Bashô. posted by LAURO MARQUES | 16:51 |
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